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    Cotada para Planejamento, Simone Tebet estaria enfrentando resistência de Haddad

    Com dificuldades de preencher o posto, Lula avalia conversar com o MDB sobre possibilidade de senadora assumir Cidades

    Teo CuryGustavo Uribeda CNN

    Em Brasília

    A senadora Simone Tebet (MDB-MS) tem reunião prevista com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para discutir sua eventual nomeação para o Ministério do Planejamento, mas, segundo dirigentes do PT, a possibilidade estaria enfrentando resistência de um petista de peso: o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    A suposta insatisfação de Haddad com uma nomeação da senadora para a equipe econômica já teria, segundo dirigentes petistas, sido transmitida a Lula, que tenta chegar a uma equação que contemple Tebet em sua Esplanada dos Ministérios.

    Para isso, Lula deve ter uma nova conversa com a cúpula nacional do MDB. Uma saída seria nomear a senadora para o Ministério das Cidades, pasta que ela tem sinalizado preferência, e indicar um representante da bancada do partido na Câmara dos Deputados em outro assento na Esplanada.

    Tebet foi aconselhada por um grupo de aliados a apresentar a Lula nesta terça-feira (27) uma série de condições para assumir o Planejamento, o que inclui controle dos bancos públicos e do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).

    Lula, no entanto, já sinalizou a dirigentes petistas que, caso a senadora apresente as exigências, ele deve resistir aos pedidos. Por isso, já avalia um plano B que contemple tanto Tebet como o MDB da Câmara dos Deputados.

    Na semana passada, Lula já tinha acenado com Cidades para a bancada federal do MDB na Câmara. O nome indicado era de Jader Filho, irmão do governador do Pará, Helder Barbalho.

    Nos bastidores, o entorno de Haddad tem lembrado que Tebet se lançou candidata à sucessão presidencial apoiada pelo mercado financeiro e que uma eventual escolha dela no Planejamento levaria à pasta nomes liberais que divergem da linha que o futuro ministro pretende adotar na formulação de políticas públicas.

    Haddad pretende apresentar até o meio de 2023 um novo regime fiscal e assumiu como prioridade para o primeiro ano a aprovação da reforma tributária no Congresso Nacional, propostas bem-vistas pelo mercado financeiro, mas o futuro ministro não abre mão de adotar um perfil expansionista na área social.

    Há cerca de dez dias, Haddad teria convidado o ex-governador de Alagoas e senador eleito Renan Filho (MDB) para assumir o comando do Planejamento. O convite teria sido feito por telefone e Renan Filho teria dito a Haddad que a resposta seria dada após conversas da bancada do MDB no Senado Federal.

    A preferência do MDB é que Renan Filho assuma o Ministério dos Transportes, pasta com maior vitrine eleitoral. Mas Lula tem insistido nos bastidores que o nome dele para Planejamento seria a melhor opção para acomodar os interesses de Haddad e de Tebet.

    Em meio à falta de entendimento, o futuro político de Tebet segue incerto. A senadora, que encerra o mandato neste ano, foi cotada em um primeiro momento para assumir o Desenvolvimento Social, responsável por gerir o Bolsa Família.

    O cargo era a preferência de Tebet pela visibilidade e importância que teria, mas acabou sendo entregue ao senador eleito Wellington Dias (PT-PI).

    O nome da senadora também foi ventilado para o Ministério do Meio Ambiente, mas a deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP) não quis abrir mão do posto para assumir a função de Autoridade para Mudanças Climáticas.

    A pessoas próximas, Tebet tem reafirmado que gostaria de fazer parte do governo Lula, mas deixado claro que não necessariamente precisa fazer parte da nova gestão caso o posto oferecido não seja satisfatório.