CPI do Crime aprova convocação de Ibaneis Rocha e Cláudio Castro

Comissão de inquérito também aprovou convocação de Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor do Banco Central e pedidos de informação à autarquia monetária sobre o caso Master

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (31), convocar os agora ex-governadores do Distrito Federal e Rio de Janeiro, Ibaneis Rocha e Cláudio Castro, para comparecerem ao colegiado.

Ambos deixaram os cargos para concorrer às eleições. Antes, Ibaneis e Castro foram convidados para comparecer à CPI, mas não compareceram.

Os parlamentares querem ouvir explicações dos ex-governadores sobre a fraude financeira do Banco Master e sobre o cenário do crime organizado nas respectivas unidades da federação que administraram.

Outros requerimentos aprovados pedem as convocações de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central; Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central; Yan Felix Hirano, suspeito de facilitar operações envolvendo recursos ilícitos no sistema financeiro; e Macário Judice Neto, desembargado suspeito de vazar informações da operação contra Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias.

A comissão também aprovou pedidos de informação ao Banco Central relacionadas ao caso Master. A solicitação mira processos que tenham tido a participação do servidores afastados Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e de Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, os dois atuavam em parceria com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Quebras de sigilo

A CPI também aprovou requerimentos de quebra de sigilo de empresas e pessoas, entre elas, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado no caso do Master. A comissão já havia aprovado a transferência de sigilo do empresário, mas realizou nova votação para evitar questionamento do resultado.

Os pedidos foram votados de forma individual e com registro de votos. O formato mirou respeitar decisão recente do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu uma votação simbólica e em bloco na CPMI do INSS.

Outra quebra de sigilo aprovada foi a de José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Emprego, alvo de investigações relacionadas às fraudes em benefícios dos INSS.

Depoimento de Campos Neto

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto tinha depoimento na comissão previsto nesta terça-feira, mas comunicou, por meio do seu advogado, que não poderia comparecer. A sua oitiva já havia sido marcada outra vez, mas ele foi dispensado de comparecer após habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do STF.

Por esse motivo, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu a inclusão extrapauta de um novo requerimento de convocação, de presença obrigatória, na pauta da CPI. O pedido foi acatado pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e o pedido foi aprovado pela comissão.