CPI ouve vendedor que denunciou suposta propina por vacina nesta quinta

Comissão adiou a oitiva de Francisco Maximiano após o sócio da Precisa Medicamentos obter habeas corpus para ficar em silêncio na comissão

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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Em uma reviravolta no calendário, a CPI da Pandemia ouve nesta quinta-feira (1º) o vendedor Luiz Paulo Dominghetti Pereira, que afirma ter recebido um pedido de propina de um servidor do Ministério da Saúde para vender ao poder público vacinas contra a Covid-19.

Originalmente, quem falaria aos senadores seria o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, que intermediou as negociações do Ministério da Saúde para a aquisição da vacina Covaxin.

O depoimento de Maximiano foi adiado pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), após o empresário conseguir um habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não responder às perguntas dos senadores.

A decisão foi tomada em reunião na casa de Aziz na noite desta quarta-feira (30), em um esforço dos senadores de não repetir o que aconteceu com o depoimento do empresário Carlos Wizard, sabatinado por várias horas sem responder às perguntas, também se valendo de um HC obtido junto ao STF.

Relato de suposta propina

O depoimento de Luiz Paulo Dominghetti foi aprovado nesta semana, após ser divulgada reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” em que ele faz o relato do suposto pedido de propina feito por Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde.

Roberto Dias, que estava no cargo desde janeiro de 2019, foi exonerado pelo governo federal após a divulgação da reportagem do jornal. A pasta afirma que a saída do diretor havia sido definida horas antes.

Segundo Dominghetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, relatou ao jornal, Dias lhe fez um pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina da AstraZeneca em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

A pedido do diretor, ainda de acordo com o relato, a conversa teria acontecido fora do prédio da pasta, em um restaurante localizado em um shopping de Brasília.

Depoimento adiado

Ainda não há nova data definida para a CPI realizar a oitiva de Francisco Maximiano. O requerimento de convocação do empresário, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), afirmava que o sócio da Precisa Medicamentos deveria ir à comissão para esclarecer suspeitas de irregularidades no contrato da Covaxin.

A negociação pela Covaxin assumiu um papel de destaque na investigação da CPI da Pandemia após virem à público as declarações de Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério da Saúde que afirma ter sofrido pressão atípica para acelerar os trâmites internos de liberação da vacina de origem indiana. Ele e o irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), depuseram à CPI no último dia 25.

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