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    CPI quer saber se há interferência política na Anvisa, diz Randolfe

    Senador, que é vice-presidente da comissão de investigação, também destacou importância de depoimentos nesta semana de Fabio Wajngarten e de diretores da Pfizer

    Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo; produzido por Juliana Alves, da CNN, em São Paulo

    O vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou nesta segunda-feira (10) que o objetivo do depoimento do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, é entender se há interferência política no trabalho do órgão.

    Barra Torres será o primeiro a depor à comissão nesta semana, na terça-feira (11). Além dele, também serão ouvidos o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e dirigentes da farmacêutica norte-americana Pfizer.

    “É importante perguntar ao presidente da Anvisa, em primeiro lugar, se há algum tipo de interferência política sobre aquisição de vacinas, se houve interferência em relação à Coronavac ou se há algum tipo de interferência política da parte do presidente para se obter registro da Butanvac, da Sputnik e de outras vacinas”, destacou Randolfe, em entrevista à CNN.

    Especificamente sobre a Sputnik, Randolfe disse que é preciso determinar se há algum tipo de decisão política motivada pelo fato de o Consórcio do Nordeste, que negocia a aquisição da maior parte de doses do imunizante, ser formado por opositores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

    Ele também afirmou que os senadores tentarão entender se poderia ter havido maior celeridade nos processos de aquisição de vacinas desde 2020.

    Randolfe apontou que o depoimento de Carlos Murillo, ex-presidente da Pfizer no Brasil, será fundamental para entender o processo fracasso de compras de imunizantes da farmacêutica norte-americana no ano passado.

    “Se tivéssemos essa vacinas desde o ano passado, quando elas estariam disponibilizadas aos brasileiros e quantos poderiam ter sido imunizados?”, questionou o vice-presidente da comissão.

    Depoimentos de Araújo e Pazuello

    Randolfe afirmou que o depoimento de Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, será adiado desta semana para a quinta-feira (20) seguinte, de forma a permitir mais tempo para os questionamentos dos dirigentes da Pfizer e de Wajngarten.

    Em entrevista à revista Veja em abril, Wajngarten disse que o Brasil não comprou antes vacinas da Pfizer por “incompetência” e “ineficiência” do Ministério da Saúde, à época comandado por Eduardo Pazuello.

    vice-presidente da CPI da Pandemia, Randolfe Rodrigues
    O vice-presidente da CPI da Pandemia, Randolfe Rodrigues, falou à CNN sobre expectativas para semana de novos depoimentos
    Foto: CNN Brasil (10.mai.2021)

    “Compreendemos que o senhor Wajngarten  tem informações preciosas sobre a gestão do senhor Eduardo Pazuello sobre a aquisição de vacinas”, disse o senador.

    Em relação a Pazuello, cuja oitiva está marcada para a quarta-feira (19), Randolfe disse não haver possibilidade de mudar a forma de convocação – ele será ouvido como testemunha e não como investigado.

    “Na CPI [da Pandemia] ele está na qualidade de testemunha e terá a obrigatoriedade, conforme os termos do artigo 202 do Código de Processo Penal, de prestar o compromisso à verdade sob as penas da lei”, disse.

    “Acredito que mesmo que o senhor Pazuello busque um habeas corpus [no Supremo Tribunal Federal], que ele não venha a ser concedido.”

    Nova convocação de Queiroga

    Randolfe também não descartou a possibilidade de que o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seja convocado novamente para prestar depoimento à CPI.

    “As respostas [de Queiroga] não foram satisfatórias, ao meu sentimento, para a maioria dos membros da CPI. Mas vamos aguardar a dinâmica das investigações”, disse ele.

    “Tem algo que a CPI tem sempre que se curvar: aos fatos. O fato é o que é importante para o curso das investigações (…) Esses fatos é que poderão apontar a necessidade de um novo depoimento do ministro da Saúde.”