CPI recebe Marcos Tolentino, citado como ‘sócio oculto’ da FIB Bank

Empresário teria proximidade com Ricardo Barros e tem empresas com o mesmo endereço da 'fiadora' da Precisa no contrato da Covaxin

O empresário Marcos Tolentino em comissão na Câmara dos Deputados
O empresário Marcos Tolentino em comissão na Câmara dos Deputados Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Giovanna Galvanida CNN*

Em São Paulo

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A CPI da Pandemia recebe nesta quarta-feira (1º) o advogado e empresário Marcos Tolentino da Silva, cujo depoimento integra a linha de investigação sobre possíveis esquemas de favorecimento da Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde.

Dono da Rede Brasil de Televisão, Tolentino chega à CPI sob a condição de possível “sócio oculto” da empresa FIB Bank, que forneceu à Precisa uma garantia irregular no fechamento do contrato da vacina indiana Covaxin.

Na noite desta terça-feira (31), a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia concedeu um habeas corpus que garante a Tolentino o direito de permanecer em silêncio na sessão da CPI desta quarta.

Além de garantir a Tolentino o direito ao silêncio, Cármen Lúcia também determinou que o empresário e advogado poderá ser assistido por seu advogado, solicitar a presença de “auxílio de profissional ou serviços de saúde” do Senado e também “não ser obrigado a responder questionamentos relativos a informações recebidas por força de sigilo profissional”.

Relação sob suspeita

No depoimento de Ricardo Pereira Júnior, diretor do FIB Bank, Tolentino foi definido pelo depoente como sócio de outra empresa com participação no FIB Bank, a Pico do Juazeiro Participações.

Porém, segundo a CPI, o endereço da emissora de Tolentino seria o mesmo da Pico do Juazeiro, e o mesmo número de telefone do escritório de advocacia de Tolentino em São Paulo aparece em outra empresa acionista do FIB Bank.

Além disso, os senadores devem questioná-lo acerca de sua proximidade com o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.

Marcos Tolentino e o parlamentar teriam participado de uma reunião com o dono da Precisa, Francisco Maximiano, antes do fechamento de contrato das doses da Covaxin. Nessa reunião, a suspeita da comissão de inquérito é de que Tolentino teria aproximado Francisco Maximiano ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Com isso, as questões no depoimento de Tolentino buscarão esclarecer mais um capítulo do conturbado contrato da Precisa com o Ministério da Saúde.

Contrato bilionário

Entre os pontos de destaque frequentemente apontados pelos senadores está a dúvida sobre como a empresa conseguiu fechar um acordo de R$ 1,6 bilhão, em fevereiro de 2021, tendo uma fiadora suspeita de utilizar “laranjas” em sua formação, com histórico de falta de entrega de medicamentos no passado por parte de outra empresa de Maximiano, com uma operação no Distrito Federal mirando possíveis adulterações em testes da Covid-19 – na qual a Precisa é citada – e, também, com falsificações nos documentos que deveriam ser avalizados pela Bharat BioTech, farmacêutica responsável pela vacina.

A hipótese de que haveria um ou mais “facilitadores políticos” para que a empresa pudesse operar com proximidade ao ministério é uma das mais fortes entre senadores da cúpula da CPI. O nome de Tolentino faz parte dessa hipótese.

(*Com informações de Gustavo Uribe e Daniel Fernandes, da CNN, em Brasília e São Paulo)

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