Dark Horse: Bia Kicis e Marcos Pollon enviaram emendas para o filme
Segundo investigação, repasses não chegaram a ser pagos; informação consta na decisão do ministro Flávio Dino que autorizou uma operação da PF no âmbito do caso

Os deputados federais Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) enviaram emendas parlamentares para a realização do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo aponta a PF (Polícia Federal).
A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou nesta quinta-feira (10) uma operação da PF no âmbito do caso.
De acordo com a Polícia Federal, Marcos Pollon enviou R$ 1 milhão para a Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do longa-metragem e um dos alvos da operação da hoje. Por sua vez, Bia Kicis direcionou R$ 150 mil à mesma instituição.
Os valores, explica a PF, foram destinados, "por intermédio do Governo do Estado de São Paulo, ao projeto denominado 'Heróis Nacionais', não tendo havido, até a presente data, repasse de qualquer valor a essa entidade, em razão de óbices normativos e técnicos na celebração do respectivo termo de parceria".
Nas redes sociais, o deputado Marcos Pollon negou quaisquer irregularidades e ressaltou que a emenda não chegou a ser paga. O parlamentar também afirmou que escolheu o projeto em defesa da cultura.
"Sempre defendi que a direita não pode abandonar a cultura e deixar que a esquerda decida o que os brasileiros devem aprender sobre a própria história, ensinando mentiras aos nossos filhos e netos", afirmou no X.
Procurada pela CNN Brasil, a deputada federal Bia Kicis afirmou em nota (leia a íntegra ao final deste texto) que a emenda no valor de R$ 150 mil foi destinada para a produção de episódios da série "Heróis Nacionais". No entanto, observou a parlamentar, a quantia indicada por ela sequer chegou a ser paga.
"Diante disso, a deputada reafirma que a destinação dos recursos observou rigorosamente os princípios da administração pública e atendeu ao interesse coletivo, contribuindo para a educação, a cultura e o desenvolvimento econômico", diz trecho do comunicado.
O que diz a PF
"Ademais, a Academia Nacional de Cultura (ANC), inscrita no CNPJ sob o nº 38.244.438/0001-98, também presidida por Karina Ferreira da Gama, foi indicada como beneficiária de emendas parlamentares de autoria dos Deputados Federais Marcos Pollon (emenda nº 202444200010, no valor de R$ 1.000.000,00) e Bia Kicis (emenda nº 202439190003, no valor de R$ 150.000,00), destinadas, por intermédio do Governo do Estado de São Paulo, ao projeto denominado “Heróis Nacionais”, não tendo havido, até a presente data, repasse de qualquer valor a essa entidade, em razão de óbices normativos e técnicos na celebração do respectivo termo de parceria."
Entenda o caso
A PF (Polícia Federal) cumpre nesta quinta-feira 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os alvos.
A operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), e apura supostas irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina.
A suspeita é de que parcela do valor total não teria comprovação de utilização, por meio de nota fiscal.
Ao todo, são 53 alvos, sendo 29 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. Foram cumpridos mandatos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, em ação conjunta com a CGU (Controladoria-Geral da União).
As investigações apontam a existência de uma "organização criminosa formada por agentes públicos e privados", que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Além dos mandatos cumpridos pelos agentes, Dino também determinou que os 29 investigados não poderão sair do país sem autorização, assim como estão proibidos de se comunicar entre si.
O financiamento do filme "Dark Horse" é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.
Leia a íntegra da nota de Bia Kicis
"A Deputada Federal Bia Kicis esclarece que a única emenda que foi destinada para produção audiovisual foi no valor de R$150.000,00 para a viabilização de uma iniciativa que contempla a produção dos episódios “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador” com potencial de alcance superior a 100 mil estudantes e cerca de 500 mil pessoas, em todo o Brasil, incluindo do Distrito Federal.
O valor indicado sequer foi pago, como está exposto na decisão da petição 16.669 do Ministro Flávio Dino. Em 20 de maio de 2026, a Deputada solicitou o cancelamento de indicação de recursos da emenda referida, por ofício, e a análise da viabilidade técnica, jurídica e orçamentária de eventual redirecionamento dos recursos ao Hospital de Amor de Barretos/SP.
Diante disso, a deputada reafirma que a destinação dos recursos observou rigorosamente os princípios da administração pública e atendeu ao interesse coletivo, contribuindo para a educação, a cultura e o desenvolvimento econômico.
Sobre a movimentação apontada por relatório da Coaf, é importante salientar que a mesma decisão do Ministro Flávio Dino traz que “a comunicação é mencionada apenas no intuito de frisar que o intercâmbio de informações iniciado com o COAF não teve a Deputada Federal Bia Kicis como foco, entretanto, a comunicação foi enviada uma vez que houve registro do envio de R$ 500,00 pelo Deputado Federal Mário Frias.”
Trata-se de um valor de R$500,00 destinado para uma vaquinha para uma manifestação pacífica realizada. Desta forma, as notícias veiculadas que buscam espalhar que o relatório alertou o valor de mais três milhões de reais não são justas com a própria decisão do Ministro Flávio Dino.
A Deputada reitera, ainda, o repúdio a interpretações equivocadas ou tentativas de associação indevida da emenda parlamentar a finalidades diversas daquelas efetivamente aprovadas e executadas."


