Dark Horse: Dino autorizou operação antes de Andrei ser afastado da PF
PF cumpriu nesta quinta (10) mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado Mario Frias e à produtora Karina Gama

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a operação contra nomes ligados ao financiamento do filme Dark Horse no dia 3 de setembro, antes do afastamento do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues.
A decisão do ministro, assinada na semana passada, foi divulgada nesta quinta-feira (10). A operação foi realizada nesta manhã e mirou 29 alvos de mandados de busca e apreensão, entre eles o deputado Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como a CNN mostrou, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à deflagração da operação e o "timing" da ação policial. Fontes próximas a Flávio condenaram o que entendem ser uma ação da PF para influenciar o período eleitoral.
A operação foi realizada um dia depois de Andrei Rodrigues ser reintegrado ao cargo por decisão de Dino, no âmbito do inquérito sobre o uso de emendas no filme Dark Horse. Uma das justificativas foi a necessidade de evitar prejuízo a investigações. O chefe da PF havia sido afastado na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça.
Em meio à crise no STF, o presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu na quarta-feira (9) suspender os despachos de Mendonça e Dino e, na prática, permitiu a recondução de Andrei até segunda ordem.
O presidente da Corte deu 48 horas para que Andrei se manifeste e afirmou que as informações prestadas servirão para que o tribunal decida sobre a permanência dele à frente da diretoria-geral da PF.
Entenda o caso
A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado federal Mario Frias estão entre os alvos.
A operação Make Up foi autorizada por Dino e apura supostas irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina.
A suspeita é de que parcela do valor total não teria comprovação de utilização, por meio de nota fiscal.
Ao todo, são 53 alvos, sendo 29 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. Foram cumpridos mandatos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, em ação conjunta com a CGU (Controladoria-Geral da União).
As investigações apontam a existência de uma "organização criminosa formada por agentes públicos e privados", que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Além dos mandatos cumpridos pelos agentes, Dino também determinou que os 29 investigados não poderão sair do país sem autorização, assim como estão proibidos de se comunicar entre si.
O financiamento do filme "Dark Horse" é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.


