Defesa de Braga Netto pede acareação com Cid para esclarecer divergências

Advogados pediram ainda que ação penal do "núcleo 1" seja suspensa até a conclusão das instruções dos demais núcleos da investigação sobre suposta trama golpista

Gabriela Boechat e Jussara Soares, da CNN, Brasília
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A defesa do ex-ministro Walter Braga Netto solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (16) a realização de uma acareação entre ele e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid.

A acareação é um procedimento no processo penal em que duas ou mais pessoas são colocadas frente a frente para esclarecer contradições em seus depoimentos.

De acordo com os advogados de Braga Netto, existem divergências entre os depoimentos do ex-ministro e de Cid em dois pontos principais.

A primeira divergência diz respeito a uma reunião realizada em novembro de 2022 na casa de Braga Netto. Segundo Cid, o encontro teve o objetivo de discutir o plano denominado "Punhal Verde e Amarelo".

Cid alegou que, durante a reunião, os participantes expressaram insatisfação com os resultados das eleições e com a maneira como as Forças Armadas estavam tratando esses assuntos.

O ex-ministro teria então pedido que Cid se retirasse da reunião, pois a partir daquele momento seriam discutidas “medidas operacionais”, nas quais ele, por sua proximidade com o ex-presidente, não poderia participar.

A segunda divergência envolve uma suposta entrega de dinheiro por parte de Braga Netto a Mauro Cid, com a finalidade de repassar o valor ao major De Oliveira, um “kid preto”, para financiar atos antidemocráticos.

Cid afirmou que o ex-ministro entregou a ele o dinheiro em uma caixa de vinho no Palácio da Alvorada. Braga Netto nega.

“Não é demais explicitar que essa diligência complementar se mostra necessária para a devida apuração dos fatos, pois Mauro Cid não trouxe aos autos provas que corroborassem suas acusações em face do Gen. Braga Netto, justamente nos pontos de divergência acima expostos”, argumenta a defesa.

Provas

Além da acareação, a defesa de Braga Netto solicitou que as provas coletadas nas investigações de outros núcleos da trama golpista sejam compartilhadas com o "núcleo 1", do qual Braga Netto faz parte.

A defesa argumenta que as acusações contra o ex-ministro estão relacionadas a episódios que também envolvem outros denunciados em diferentes núcleos, e, por isso, é fundamental que as alegações finais para os réus do "núcleo 1" sejam apresentadas apenas após o interrogatório dos outros núcleos.

A defesa ainda solicitou que a ação penal do "núcleo 1" seja suspensa até a conclusão das instruções dos demais núcleos da investigação.

Diligências complementares

As defesas de Jair Bolsonaro, Mauro Cid e outros seis réus do "núcleo 1" da ação penal que investiga uma suposta trama golpista têm até o final desta segunda-feira (16) para apresentar novos requerimentos e diligências complementares ao STF.

Durante a última semana, os oito réus passaram por interrogatório, e agora suas defesas podem solicitar novas investigações ou medidas necessárias. O prazo de cinco dias foi estabelecido pelo ministro relator, Alexandre de Moraes, ao encerrar os depoimentos. O pedido de Braga Netto ainda precisa ser aprovado pelo ministro Moraes.

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