Defesa de Anderson Torres começa sustentação oral
Ex-ministro da Justiça é acusado de omissão nos atos de 8 de janeiro e de ter dado suporte jurídico a Bolsonaro
A defesa do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, representada por Eumar Novacki, começou na tarde desta terça-feira (2) a sustentação oral no plenário da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).
Torres é acusado de oferecer suporte jurídico para decretos de medida de exceção e participar da disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral.
Segundo a PGR, Torres teria usado sua posição no Ministério da Justiça para influenciar a PRF (Polícia Rodoviária Federal).
De acordo com as investigações, ele teria autorizado relatórios de inteligência sobre locais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve mais votos e se reuniu com o então diretor da PRF, Silvinei Vasques, antes do segundo turno de 2022, para tratar de “policiamento direcionado” que dificultaria a locomoção de eleitores contrários a Bolsonaro.
Com o fim do governo Bolsonaro, Torres se tornou secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, cargo que ocupava durante o 8 de Janeiro. O ex-ministro viajou aos Estados Unidos às vésperas dos ataques contra os Três Poderes.
Quem são os réus do núcleo 1?
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
Por quais crimes os réus estão sendo acusados?
Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.