Defesa de Anderson Torres começa sustentação oral

Ex-ministro da Justiça é acusado de omissão nos atos de 8 de janeiro e de ter dado suporte jurídico a Bolsonaro

Gabriela Boechat e Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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A defesa do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, representada por Eumar Novacki, começou na tarde desta terça-feira (2) a sustentação oral no plenário da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

Torres é acusado de oferecer suporte jurídico para decretos de medida de exceção e participar da disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral.

Segundo a PGR, Torres teria usado sua posição no Ministério da Justiça para influenciar a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

De acordo com as investigações, ele teria autorizado relatórios de inteligência sobre locais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve mais votos e se reuniu com o então diretor da PRF, Silvinei Vasques, antes do segundo turno de 2022, para tratar de “policiamento direcionado” que dificultaria a locomoção de eleitores contrários a Bolsonaro.

Com o fim do governo Bolsonaro, Torres se tornou secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, cargo que ocupava durante o 8 de Janeiro. O ex-ministro viajou aos Estados Unidos às vésperas dos ataques contra os Três Poderes.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus: 

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência); 
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro; 
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro; 
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro; 
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; 
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e 
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022. 

 

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles: 

  • Organização criminosa armada; 
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; 
  • Golpe de Estado; 
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave; 
  • Deterioração de patrimônio tombado. 

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.