Defesa de Bolsonaro questiona delação de Cid: "Esse homem não é confiável"

Celso Vilardi diz que o ex-ajudante de ordens mentiu muitas vezes e "colocou sua voluntariedade em cheque"

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi, Manoela Carlucci e Gabriela Piva, da CNN, Brasília e São Paulo
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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse durante julgamento nesta quarta-feira (3), que o ex-ajudante de ordens Mauro Cid "não é um homem confiável".

Ao comentar sobre supostas conversas de Cid no Instagram, o advogado Celso Vilardi afirmou que agora o tenente coronel está "desmoralizado porque foi pego na mentira pela enésima vez".

"A senha e o perfil estão colocados no celular dele que foi apreendido lá atrás, não é de agora. Então, a prova que ele usou isso, ela é absolutamente indiscutível, se vão fazer investigação para punir alguém, isso eu não sei. Agora, o que mostra isso? Que esse homem não é confiável, que esse homem não é confiável", afirmou.

"O que temos na verdade? Eu estou ouvindo, seja na imprensa, seja em todos os lugares o seguinte: Não, a prova independe do colaborador, a prova independe do colaborador, a PF tem todas as provas. Ora o colaborador é importante, ele era importante antes de ser desmoralizado. Agora que ele está desmoralizado porque foi pego na mentira pela enésima vez, não é pela primeira vez, pela enésima vez e agora com duas questões: ele rompeu a delação formalmente, porque ele mentiu e ele colocou sua voluntariedade em cheque", completou.

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, está no centro do julgamento da suposta trama golpista após fechar seu acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), em 2023. Entre os depoimentos que deu, ele citou um suposto plano de golpe, venda de joias sauditas, fraude em cartões de vacinação e gabinete do ódio.

A delação foi homologada pelo Supremo e serviu de base para a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas de participar em uma trama golpista que impediria a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições gerais de 2022.

O sigilo da delação premiada de Cid caiu em fevereiro deste ano, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Com a derrubada, todos os 14 depoimentos do tenente-coronel se tornaram públicos.

Julgamento do suposto plano de golpe

O segundo dia de julgamento começou nesta quarta-feira com as defesas dos réus. O primeiro advogado a realizar a sustentação oral foi Matheus Milanez, que tem Augusto Heleno como cliente.

Depois, os advogados de Bolsonaro começaram a realizar a defesa do ex-presidente.

Os votos dos ministros para condenar, ou absolver, os oito réus do chamado núcleo 1 do julgamento deve começar na próxima terça-feira (9), após o fim das sustentações orais das defesas.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
  • Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:

  • 2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)
  • 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)