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    Delegado afastado da PF queimou documentos antes de operação

    PF conseguiu recuperar parte do material queimado com os trabalhos da perícia e descobriu que pelo menos parte dos documentos tem origem na Abin

    Integrantes da PF estão entre os alvos das investigações
    Integrantes da PF estão entre os alvos das investigações 28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes

    Gabriela Pradoda CNN Brasília

    Delegado da Polícia Federal (PF) afastado por suspeita de participação “Abin paralela”, Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho queimou documentos dias antes do cumprimento de mandado de busca e apreensão da operação, disseram à CNN fontes ligadas às investigações.

    Coelho foi um dos alvos da operação desencadeada no dia 25 de janeiro, que cumpriu 21 mandados de busca e apreensão.

    Entre os investigados, estão sete integrantes da PF e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Todos são suspeitos de usar um software de geolocalização, o FirstMile, de forma ilegal.

    A PF conseguiu recuperar parte do material queimado com os trabalhos da perícia e descobriu que pelo menos parte dos documentos tem origem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Questionado pela investigação sobre o fato, o delegado afastado teria relatado que a documentação era antiga de gestões anteriores.

    A CNN tenta contato com a defesa e com Carlos Afonso desde terça-feira (6). O espaço está aberto para manifestação da defesa.

    Pedido para queimar

    O delegado estava na função de Coordenador de Aviação Operacional (CAOP), cargo da direção da PF. A sede da coordenação fica no Aeroporto Internacional de Brasília.

    Fontes relataram à CNN que pouco dias antes da operação, dentro do CAOP, Gomes pediu para funcionários terceirizados queimarem os documentos.

    O delegado foi exonerado no cargo de coordenação no dia seguinte a operação, em 26 de janeiro. A Justiça ainda determinou o afastamento de Coelho da corporação.

    “Posição de destaque”

    A investigação aponta que Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho ocupava uma “posição de destaque” na Abin, durante a gestão de Ramagem. Durante o período de junho de 2019 a abril de 2022, ele passou por diversos cargos dentro da agência.

    Para a Polícia Federal, o delegado afastado atua no esquema no “núcleo PF alta gestão”. Além de Coelho e Ramagem, estão nesse grupo os agentes Marcelo Araújo Bormevet, Carlos Magno de Deus Rodrigues, Felipe Arlotta Freitas, Henrique César Prado Zordan e Alexandre Ramalho.

    Coelho foi Diretor do Departamento de Inteligência Estratégica (DIE), que depois passou a ser denominado Centro de Inteligência Nacional (CIN), além de exercer as funções de Secretário de Planejamento e Gestão e Diretor-Geral Adjunto, segundo posto na escala da Abin.

    Ao pedir o afastamento dos policiais, o Ministério Público Federal (MPF) aponta que no caso de Coelho “trata-se de unidade operacional de grande prestígio e respeitabilidade na instituição; o titular da Coordenação é o responsável pela organização dos deslocamentos aéreos das missões e operações policiais”.

    Operação

    A Polícia Federal cumpriu até o início de fevereiro duas fases da operação “Vigilância Aproximada”.

    A primeira, em 26 de janeiro, cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Brasília, Rio de Janeiro, Juiz de Fora (MG) e São João Del Rei (MG), além de medidas cautelares contra agentes da PF.

    A segunda fase, em 29 de janeiro, oito mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro (5), Brasília (1), Formosa-GO (1) e Salvador (1). Um dos alvos foi o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).