Demissão de Valeixo é republicada no Diário Oficial sem assinatura de Moro

Nova versão traz chefes da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência como coautores da exoneração do diretor-geral da Polícia Federal

O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo Foto: Denis Ferreira Netto/ Estadão Conteúdo

Guilherme Venaglia

Da CNN, em São Paulo

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O Palácio do Planalto republicou, em edição extra do Diário Oficial da União no começo da tarde desta sexta-feira (24), a exoneração de Maurício Valeixo do cargo do diretor-geral da Polícia Federal. Na nova versão, não consta mais a assinatura do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Em pronunciamento realizado mais cedo, Moro disse que teria ficado sabendo da saída de Valeixo por meio da divulgação oficial e que não teria assinado, mesmo que digitalmente, a troca no comando da PF. O ex-ministro também contestou a versão de que a saída do delegado do cargo teria sido “a pedido”.

A justificativa para a retificação foi “a constatação de uma incorreção”.

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O novo ato cita Bolsonaro e dois ministros como coautores da demissão de Maurício Valeixo. Um é o ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, e o outro é Jorge de Oliveira Francisco, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Francisco está sendo cotado para suceder Moro no Ministério da Justiça. 

Mauricio Valeixo
Ato de exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Valeixo
Foto: Reprodução/Diário Oficial da União

Bolsonaro afirmou que “à noite, eu e o doutor Valeixo conversamos por telefone, e ele concordou com a exoneração a pedido. Desculpe, senhor ministro: o senhor não vai me chamar de mentiroso”. O presidente citou conversa entre diretor-geral e superintendentes regionais da PF em que Valeixo relatava ter intenção de deixar o cargo.

Segundo a âncora da CNN Daniela Lima, interlocutores do delegado afirmam que ele foi procurado para saber se a exoneração poderia ser publicada como sendo “a pedido” e Valeixo teria respondido: “Já que estou fora, tanto faz”. 

Pelas redes sociais, Moro afirmou que “Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo presidente para ser substituído”. “Ontem, não houve qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado”, completou o ex-ministro.

Moro também teve sua exoneração publicada em edição extra do Diário Oficial da União agora à noite. O documento diz que a exoneração aconteceu “a pedido”.

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