Deputada deixará vice-liderança na ALMG após acusação contra Simões

Lud Falcão diz que entrou em contato com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), para comunicar o seu desligamento da vice-liderança de governo

da Itatiaia
Lud Falcão (deputada estadual PODE/MG)  • Elizabete Guimarães/ALMG
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A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) anunciou, em entrevista à Itatiaia nessa quinta-feira (22), que deixará a vice-liderança de governo na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) após acusar o vice-governador, Mateus Simões (PSD), de tê-la ameaçado.

O conflito teria ocorrido em meio a um confronto político com seu marido, o prefeito de Patos de Minas e presidente da AMM (Associação Mineira de Municípios), Luís Eduardo Falcão.

“Estou acompanhando este governo desde quando o governador Romeu Zema colocou seu nome à disposição. Para fazer uma política nova, diferente, procuravam sempre técnicos, pessoas que dessem resultado, para ocupar os cargos de superintendência. Ele se enganou achando que quando ele gritou comigo eu iria me esconder. Pelo contrário. Um vice-governador que almeja ser candidato a governador é um tirano”, pontuou Lud.

Ela afirma que o cenário está “nebuloso” e que sempre trabalhou em prol da construção do governo Romeu Zema (Novo). Contudo, Lud critica o vice-governador e diz que ele veste uma “máscara” de “bom moço”.

“Em rede social é muito fácil gravar vídeo como bom moço. Mas costumo falar que sustentar uma máscara é difícil. Na primeira oportunidade, ela cai. Essa ideia de bom moço não funciona com quem esbraveja, com quem não respeita a história de pessoas que são nomeadas pelo governo", disse.

"Tenho certeza que isso nunca seria uma atitude do governador Romeu Zema, de quem eu sou vice-líder. Dele, eu sou vice-lider. Agora, do Mateus Simões, ele não me representa. Que Deus tenha misericórdia do estado de Minas Gerais. Porque política se faz com construção. Diálogo, respeito, humildade para entender a dor dos mineiros. Falta isso nele”, acrescentou.

A parlamentar ainda diz que entrou em contato com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), para comunicar o seu desligamento da vice-liderança de governo.

“São vários encaminhamentos. Primeiramente, quando o vice-governador age desta forma não está agindo apenas contra a deputada Lud Falcão, está agindo contra o parlamento. Está achando que é moeda de troca. Se não atendermos os anseios pessoais dele, ele age fechando as portas do governo que ele acha que ele acha que é dele. Por isso, ontem mesmo eu entrei em contato com o presidente Tadeu”, finalizou.

Em nota, o vice-governador afirmou que houve "ânsia por protagonismo” por parte da deputada estadual.

“A decisão inicial foi não responder, para evitar dar protagonismo a algo que não se sustenta na realidade. A política pode muito, mas não pode tudo. A ânsia por protagonismo e visibilidade não pode justificar o uso de uma pauta legítima e sensível para tentar construir uma narrativa de vitimização que não corresponde aos fatos", afirmou Simões.

"Esse tipo de atitude empobrece e rebaixa o debate público. A pauta das mulheres merece respeito, responsabilidade e não pode ser instrumentalizada politicamente”, prosseguiu.

Conflito

Em vídeo publicado no perfil do Instagram da deputada na última quarta-feira (21), Lud afirma ter recebido uma ligação de Simões em tom de ameaça minutos após Luís Eduardo Falcão ter feito um vídeo com críticas a um pronunciamento do vice-governador com uma ironia ao apoio prestado por uma cidade do interior à Polícia Militar.

À frente da organização que representa 837 das 853 cidades do estado, o marido de Lud Falcão tem apostado em críticas à distribuição de recursos entre entes federativos e ao governo estadual desde o fim de 2025, no âmbito dos debates sobre a privatização da Copasa.

“Vice-governador, depois de poucos minutos, o senhor me ligou ameaçando que se o meu marido não te ligasse até meia-noite para pedir desculpas, o senhor não deixaria nenhum porteiro do estado de Minas Gerais atender aos meus pedidos. Primeiro, eu não tenho nenhum pedido feito para minha pessoa ou para os meus familiares. Todos são para representar mineiros e mineiras que precisam do estado”, destacou Lud.

“Faço o meu trabalho muito suado, com muita legitimidade e o senhor não quer fechar as portas para mim. O senhor quer fechar as portas para tantas pessoas que precisam do governo do estado de Minas Gerais. Quem é o senhor para falar que vai fechar as portas? Mandar os porteiros para que eles não atendam uma deputada que tem legitimidade. Eu tive 59.381 votos de respeito, votos esses conquistados em favor da população", criticou a deputada.

"O senhor almeja tanto ser candidato ao governo do estado de Minas Gerais, o básico da política, o senhor não faz, que é primeiro ter respeito; em segundo, saber ouvir críticas; e em terceiro, dialogar”, finalizou.

Esse conteúdo foi publicado originalmente em
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