Deputado Ricardo Abrão é alvo de operação da PF sobre compra de votos no RJ

Agentes investigam suposto esquema de compra de votos em Nilópolis durante as eleições municipais de 2024

Camille Couto e Elijonas Maia, da CNN Brasil
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O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) na manhã desta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro.

A ação busca investigar um suposto esquema de compra de votos em Nilópolis (RJ) durante as eleições municipais de 2024.

Os agentes federais cumpriram mandado de busca e apreensão domiciliar e pessoal, além do afastamento do sigilo de dados de equipamentos eletrônicos.

Abrão assumiu o cargo na Câmara dos Deputados em 2024, ocupando a vaga deixada por Chiquinho Brazão, que teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara por falta de comparecimento às sessões.

Na época, Chiquinho era investigado por ser o mandante da morte de Marielle. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 76 anos de prisão em 2026.

A operação é um desdobramento de investigação iniciada em outubro de 2024, que resultou na prisão em flagrante de 24 pessoas e, em fevereiro de 2025, no cumprimento de mandados judiciais na Operação Astreia.

Em nota enviada pela assessoria, Abrão disse estar tranquilo e à disposição das autoridades para esclarecimentos.

“Recebi com estranheza a operação deflagrada pela Polícia Federal. Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos", escreveu.

Quem é Ricardo Abrão

Ricardo Abrão é filho de Farid Abraão David, que foi prefeito de Nilópolis (RJ) por três mandatos e presidente da escola de samba Beija-Flor, da mesma cidade. Farid morreu em 2020 em decorrência da Covid-19.

Ele também é sobrinho de Anísio Abraão David, apontado como um dos chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro e presidente de honra da Beija-Flor.

Substituindo seu pai, Ricardo ocupou o cargo de presidente da escola de samba nilopolitana entre 2017 e 2021.

Na política, foi deputado estadual por dois mandatos na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Na atual legislatura na Câmara dos Deputados, assumiu o mandato entre fevereiro e julho de 2023, na ausência de Daniela Carneiro (Republicanos-RJ), que era ministra do Turismo e na época estava no União Brasil.

Posteriormente, retornou para a Câmara na ausência do próprio Brazão uma vez, até assumir oficialmente a vaga.