Deputados debatem sobre decisão do STF que retomou cassação de Francischini

Henrique afirma que fala de Bolsonaro sobre "não obedecer o Supremo" cria crise entre Poderes e é rebatido por Alê Silva, que diz que Brasil vive a "ditadura da Toga"

Júlia VieiraLudmila CandalVinícius Tadeuda CNN

São Paulo

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Em debate realizado pela CNN nesta quarta-feira (8), os deputados federais Alê Silva (Republicanos-MG) e Henrique Fontana (PT-RS) comentam a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na terça-feira (7), a Suprema Corte derrubou a decisão monocrática do ministro Kássio Nunes Marques, que havia derrubado a determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato do deputado estadual do Paraná Fernando Francischini (União Brasil).

Após o fim do julgamento, o chefe do Executivo saiu em defesa da atitude do parlamentar, que foi punido após disseminar fake news sobre as urnas eletrônicas em 2018. “Estava havendo fraude nas eleições de 2018. Quando você apertava o número 1 já aparecia o 13 na tela e concluía a votação. Foram dezenas de vídeos, dezenas de pessoas ligando pra mim ao longo de toda a noite. Isso é uma verdade”, declarou Bolsonaro.

A alegação não procede, como já foi comprovado pelo próprio TSE.

Para Alê Silva, a fala do presidente é correta. “Meras opiniões não podem ser consideradas fake news. Francischini apenas expôs o que muitos eleitores falaram naquele dia. Isso nós ouvimos no país inteiro. Tornar públicos fatos agora virou fake news? Que defesa nós teremos?”, questiona a deputada.

A parlamentar do Republicados reforça que o Poder Legislativo é a voz do povo. “Nós somos a voz do povo. Evidentemente que nós vamos expor as denúncias que chegam até nós”, afirma.

Henrique Fontana, por sua vez, vê a declaração do presidente como uma tentativa de colocar em dúvida o processo eleitoral. “Como ele não consegue reverter a eleição, e o problema dele é falta de votos, ele está intensificando a tentativa de disseminar essa notícia falsa de que o sistema eleitoral estaria sobre risco. Ele ameaça essa questão há quatro anos e nunca mostrou provas”, aponta.

Em sua visão, o STF agiu bem “porque liberdade de expressão e a imunidade parlamentar que nós temos não pode ser utilizada para cometer crimes”. “O crime cometido pelo deputado Francischini foi de incitar a desordem pública e a anarquia”, avalia o petista.

Ao defender o deputado estadual, Fonseca acredita que o mandatário do Palácio do Planalto instiga a sua milícia digital a disseminar novas notícias falsas.

“Imagina se repete no Brasil aquilo que Trump fez nos EUAS, e essas milícias incitem a violência no dia que for anunciada a derrota eleitoral de Bolsonaro? Nós colocaremos vidas em risco. Não é aceitável que se continue conveniente com essas mentiras”, pontua.

Os deputados ainda comentam afirmação de Bolsonaro de que “não é mais do tempo de se cumprir decisão do STF”. “Eu fui do tempo em que ‘decisão do Supremo não se discute, se cumpre’. Eu fui desse tempo. Não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil”.

Alê Silva concorda com Bolsonaro. De acordo com ela, a fala não foi um ataque, mas uma defesa. “A perseguição política está clara. A vontade do Supremo Federal é realmente de perseguir Bolsonaro e os bolsonaristas”.

Fonseca vê a declaração como “desastrosa”. “Essa fala é desastrosa porque joga o Brasil em uma crise institucional ainda maior. Se ele não cumprir uma decisão, ele é um ditador”, justifica. Na opinião da deputada, o Brasil já vive uma ditadura da “Toga”.

Assista ao debate completo no vídeo acima

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