Deputados do PT pedem a Lula que coloque campanha na rua

Petistas observaram que, neste ano, a pré-campanha talvez seja mais relevante do que a campanha em si, tendo em vista o tempo reduzido que a atual legislação impôs

Caio Junqueira

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Um grupo de deputados do PT pediu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que coloque a campanha do partido na rua. A conversa ocorreu no começo da noite de terça-feira (12) em um hotel em Brasília, no dia seguinte ao jantar do ex-presidente com um grupo de senadores dissidentes do MDB.

Segundo deputados que estiveram no encontro e com que a CNN conversou, há uma avaliação de que a pré-campanha nas últimas semanas ficou muito centrada no fechamento da aliança com o PSB e escolha do vice Geraldo Alckmin e que é preciso virar essa página e passar a uma agenda mais direta com o eleitorado. Nesse sentido, houve pedidos para que Lula viaje o quanto antes aos estados.

O próprio Lula teria dito que a etapa Alckmin foi finalizada e que a próxima fase da campanha será estruturar a coordenação de sua campanha, que deve acontecer já na próxima semana. Pelo menos quatro deputados federais deverão integrar o grupo: a presidente da legenda, deputada Gleisi Hoffmann, além de José Guimarães, Rui Falcão e Paulo Pimenta. Assessores pessoais de Lula, como Paulo Okamotto, Luiz Dulci e o tesoureiro da campanha, Marcio Macedo também devem participar do grupo. Depois, esse núcleo –ainda em formação– deve receber os indicados dos outros partidos da aliança.

A avaliação é de que, com uma coordenação organizada, será possível estruturar melhor a campanha, tanto na agenda de viagens pelo país — demanda principal dos deputados no encontro– quanto na criação de fatos novos no dia a dia da campanha. Lula mesmo fez, segundo interlocutores do partido, um longo mapeamento dos palanques estaduais do PT. Quem assistiu percebeu nele uma preocupação específica com três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Petistas com quem a CNN conversou observaram que, neste ano, a pré-campanha talvez seja mais relevante do que a campanha em si, tendo em vista o tempo reduzido que a atual legislação impôs para as campanhas oficiais.

Há uma percepção crescente no partido de que a eleição pode acabar no primeiro turno, seja Lula ou Jair Bolsonaro (PL) o vitorioso. Para isso ocorrer, o vencedor precisa ter mais votos do que a soma de todos os outros. A leitura é de que, se a terceira via não se viabilizar, o cenário de uma eleição em uma rodada só pode ocorrer.

O discurso oficial dos petistas é o de que o crescimento de Bolsonaro nas recentes pesquisas era esperado tanto pelos instrumentos que ele enquanto governo tem nas mãos –nesta quarta-feira (13), por exemplo, concedeu reajuste linear a todos os servidores– quanto pela saída de Sergio Moro (União Brasil) da disputa.

O próprio pedido para que Lula viaje os estados já é um claro sinal para os petistas de que é preciso fazer com que a campanha deixe de priorizar as articulações políticas de gabinete e ocupe as ruas.

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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