Derrite cita El Salvador como exemplo para acabar com PCC e CV
Secretário de Segurança Pública de São Paulo diz ser necessário adequar a legislação contra as facções criminosas

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, usou El Salvador como exemplo para dizer que é possível extinguir o PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho).
"Sendo bem realista, se não desse pra acabar, eu sei que é difícil falar sobre isso, é polêmico. Eu fui criticado quando eu fiz uma comparação e eu não falei sobre os meios pelos quais o presidente Nayib Bukele conseguiu, eu desconheço, eu inclusive pretendo visitar no que vem, El Salvador, mas eles conseguiram", disse Derrite em entrevista ao WW, da CNN, nesta quarta-feira (18).
"Era o país que tinha um índice de homicídio por 100 mil habitantes de 109 por 100 mil, hoje tá menos de dois por 100 mil, ele controlou, ele estancou as quadrilhas do crime organizado e a força que o Estado brasileiro tem pra dar essa resposta é muito maior, é mais complexo? Claro que sim", prosseguiu.
O crescente controle de Bukele sobre o poder permitiu que ele restaurasse a paz nas ruas de El Salvador, que já foram dominadas por gangues. Mas isso teve um custo. Alguns direitos constitucionais, como o devido processo, foram suspensos sob medidas de emergência, levando a um aumento massivo de prisões e a protestos de grupos de direitos humanos.
Para Derrite, não é necessário destruir instituições do Estado Democrático de Direito para o combate à criminalidade, mas a "legislação deve ser adequada".
"A gente não pode permitir que um criminoso seja preso 30 vezes assaltante de carro forte", cita o secretário.
O secretário paulista vai se licenciar de seu cargo para voltar à Câmara dos Deputados e relatar o projeto que equipara facções criminosas a terroristas.
"Se você fizer uma pesquisa hoje para a população, o que mais a população quer é a força do Estado no sentido de conter as organizações criminosas. E digo mais, quem mais sofre com as organizações criminosas do Brasil é a população que vive nessas comunidades, porque é o Estado paralelo agindo na vacância, na negligência do Estado, esse sim, o Estado que deveria atuar", finalizou Derrite.



