Derrite diz que esteve “100% à disposição” e que governo preferiu narrativa

Câmara aprovou, nesta terça-feira (18), o substitutivo do relator ao PL Antifacção; foram 370 votos favoráveis e 110 contrários

Mateus Salomão, da CNN Brasil, Brasília
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O relator do PL (Projeto de Lei) Antifacção, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), afirmou, após aprovação de seu texto substitutivo nesta terça-feira (18), que esteve “100% à disposição para o diálogo”, mas que não foi procurado por membros do governo federal.

“Estive 100% à disposição do diálogo desde o início. Sofri vários ataques com falsas narrativas que não se sustentam”, afirmou em discurso na tribuna logo após a aprovação da matéria. O texto agora segue para o Senado Federal.

Momentos depois, em entrevista coletiva, Derrite disse que buscou diálogo com todos indistintamente, mas que o governo não tinha intenção de debater o projeto para o país.

“Queria politizar, escolheu distorcer e atacar, preferiu criar mentiras e falsas narrativas, ao invés de discutir soluções para um problema tão sério para o Brasil”, disparou.

Derrite disse ainda que, em nenhum momento, a administração federal pensou no povo, mas em “conseguir cortes para lacrar nas redes sociais”. “O governo tentou impedir a evolução de um projeto porque mandou para essa casa um texto fraco e benevolente com crime organizado”, completou.

O parlamentar admitiu que decidiu não comparecer à reunião com ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), nesta terça-feira, porque o Executivo teve mais de 15 dias para debater o texto, mas não teria o procurado.

Ele chegou a dizer ainda que ouviu membros do governo de forma escondida e os atendeu, “em especial da Secretaria da Fazenda, que não tinha sido atendida nem pelo Ministério da Justiça”.

A nomeação do relator e a atuação dele desagradou o governo Lula. A falta de consenso em torno do texto, tanto entre oposição e governistas, levou Derrite a apresentar seis versões do relatório.

As alterações, inclusive, renderam acusações ao relator de tentar atacar a autonomia da PF (Polícia Federal) e de ameaçar a soberania nacional. Derrite é secretário licenciado de Segurança Pública do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas voltou à Câmara especialmente para relatar a proposta.