Dinheiro, relógios e arma: veja apreensões da PF em operação na Grande SP

Ação desta quinta-feira (14) levou ao afastamento do prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo de Lima Fernandes (Podemos)

Da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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O prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Marcelo de Lima Fernandes (Podemos), foi afastado do cargo após operação da PF (Polícia Federal) realizada na manhã desta quinta-feira (14).

A ação apura supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro praticados por organização criminosa com indícios de atuação na administração pública do município da Grande São Paulo.

Conforme apurou a CNN, além do afastamento, também foi determinado que Fernandes faça o uso de tornozeleira eletrônica.

Agentes da PF cumprem duas prisões preventivas, 20 mandados de busca e apreensão e medidas de afastamento de sigilos bancário e fiscal.

Na residência de um servidor municipal de São Bernardo do Campo, a PF apreendeu montantes de notas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100, além de cédulas de moeda estrangeira.

Já na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação, os policiais confiscaram dezenas de relógios de luxo e uma arma de fogo.

Ainda não há informações sobre o que foi apreendido junto ao prefeito da cidade.

Procurada pela CNN, a Prefeitura de São Bernardo do Campo afirmou que vai cooperar com as informações necessárias em relação ao caso.

"A gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade", diz o comunicado.

Quem é Marcelo Lima

Nascido em 1983, na cidade de São Bernardo do Campo, Marcelo de Lima Fernandes possui, atualmente, duas filhas.

Formado em gestão pública, ingressou na carreira política pelo cargo de vereador, em 2008, quando alcançou os 3.906 votos, tornando-se o vereador mais jovem de São Bernardo do Campo.

Durante esse primeiro mandato, foi líder do partido (PPS), na Câmara Municipal (2009/2012).

Em 2012 conseguiu se reeleger ao cargo, dessa vez com 6.445 votos. Pouco tempo depois, em 2015, se tornou presidente do partido na cidade.

Perda de mandato

Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Solidariedade. No primeiro ano de mandato, atuou nas comissões de Finanças e Tributação e da de Desenvolvimento Urbano.

Ele não terminou o seu tempo na casa, no entanto, por ter perdido o mandato ainda em 2023, em decorrência de uma desfiliação sem justa causa do partido Solidariedade.

A legenda, na época, alegou que Marcelo de Lima Fernandes foi eleito utilizando da estrutura financeira e política da sigla e, posteriormente, se desligou sem justa causa, o que viola a legislação.

A defesa dele, no entanto, rebateu a acusação afirmando que o partido não tinha alcançado o desempenho necessário na última eleição, de forma que perderia o direito ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e televisão, o que legalmente o autorizaria a deixar a sigla sem nenhum tipo de punição.

Em resposta, o Solidariedade justificou que, mesmo que não tenha atingido a cláusula de desempenho nas Eleições de 2022, preenchia os requisitos necessários, já que realizaram a incorporação do Partido Republicanos da Ordem Social (Pros), em fevereiro de 2023.

Para o relator do caso, ministro Ramos Tavares, a migração não poderia ser permitida a partir do momento em que o partido, por conta da incorporação do Pros, superou as cláusulas de desempenho que o barravam.

Prefeitura

Em outubro de 2024, Marcelo de Lima Fernandes foi eleito, pela coligação "SBC cada vez melhor" como prefeito de São Bernardo do Campo. Ele alcançou 20,64% dos votos em segundo turno, contra o segundo colocado, Alex Manente

Pouco depois de assumir a Prefeitura de São Bernardo do Campo, em janeiro de 2025, O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo condenou Marcelo de Lima Fernandes e sua vice-prefeita, Jessica Paula, ao pagamento de uma multa no valor de R$ 5.320,50 por conduta vedada nas eleições de 2024.

De acordo com o tribunal, o prefeito teria praticado as condutas de propaganda irregular e abuso de poder político ao utilizar bens públicos - o gabinete do então prefeito - como estúdio para gravar propagandas a seu favor durante a campanha.

(Publicado por Lucas Schroeder, com informações de Elijonas Maia e Manoela Carlucci)