Dino: Alguém imagina que cartão de crédito ou Mickey mudará julgamento?

Em voto, ministro ironizou sanções dos EUA e acrescentou que o Pateta "aparece com mais frequência nesses eventos"

Davi Vittorazzi, Gabriela Boechat e Maria Clara Matos, da CNN, Brasília e São Paulo
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Em sessão de julgamento nesta terça-feira (9) sobre o processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino ironizou as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.

"Eu me espanto com alguém imaginar que alguém chega ao Supremo e vai se intimidar com tweet", disse Dino. "Será que as pessoas acreditam que um tweet de uma autoridade, de um governo estrangeiro, mudar um julgamento de Supremo? Será que alguém imagina que um cartão de crédito ou Mikey, vão mudar um julgamento de Supremo?"

Durante a fala, após a citação ao Mickey, o ministro Alexandre de Moraes acrescentou: "...o Pateta", ao que Dino disse: "É, o pateta aparece com mais frequência nesses eventos todos."

Moraes foi alvo de sanções do governo norte-americano com base na Lei Magnitsky, que visa punir cidadãos estrangeiros enquadrados pelo governo americano como violadores de direitos humanos.

A lei impõe uma espécie de "morte financeira" aos sancionados, bloqueando bens nos EUA e impedindo que empresas americanas, como bancos, forneçam serviços.

"Então, nós estamos aqui, fazendo o que nos cabe, cumprindo o nosso dever. Isso não é ativismo judicial, não é tirania, não é ditadura. Pelo contrário", prosseguiu Dino.

Em agosto deste ano, Dino deliberou que decisões judiciais de outros países não terão eficácia no Brasil, exceto se passarem por uma validação da Justiça brasileira.

Dino votou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus por golpe de Estado. O placar está em 2 a 0.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Para esta semana, foram reservadas quatro datas para as sessões do julgamento, veja:

  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h;
  • 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; e
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.