Dino pede que Prefeitura de SP explique relação entre funerária e Master
Na decisão, ministro menciona possibilidade do empresário Fabiano Zettel ter assinado cinco documentos de concessionária quando atuava como conselheiro da empresa

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), exigiu na terça-feira (7) explicações da Prefeitura de São Paulo sobre uma aparente relação entre concessionárias do serviço funeral da capital com o Banco Master, envolvido em um escândalo de fraudes financeiras.
O magistrado menciona a possibilidade do empresário Fabiano Zettel ter assinado cinco documentos da concessionária Cortel, quando atuava como conselheiro da empresa. Ele é cunhado do ex-banqueiro e dono do Master, Daniel Vorcaro.
As assinaturas teriam acontecido "mediante endereços eletrônicos institucionais vinculados tanto ao Banco Master quanto ao Banco Máxima". O Máxima era o antigo nome do Banco Master.
A decisão de Dino considera "imprescindível" o esclarecimento entre uma possível interferência do Banco Master em empresas concessionárias de cemitérios de São Paulo, apesar da Cortel negar a existência do vínculo com a instituição ou com Zettel.
Ainda conforme o ministro, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) já apura a suposta relação dos serviços funerários com os bancos.
"Considerando-se que, ao que se indica, o Município de São Paulo apura a eventual interferência do Banco Master em empresas concessionárias dos cemitérios municipais, e que a Cortel nega a existência de vínculo com a referida instituição financeira ou com o subscritor dos documentos mencionados, revela-se imprescindível o esclarecimento desses fatos, pelo Município, por ocasião da audiência designada", diz trecho da decisão de Dino.
A audiência sobre a ação que questiona a privatização do serviço funerário em São Paulo foi marcada para o dia 16 de abril, às 13h.
À CNN Brasil, a Prefeitura de São Paulo "sugere ao ministro Flávio Dino que pergunte aos colegas de Supremo Tribunal Federal sobre o Banco Master, que é onde se encontra a investigação sobre ações e atos do banco".
"Os serviços funerários e cemiteriais na cidade de São Paulo estão em pleno funcionamento, sem nenhuma intercorrência, e o Município seguirá cumprindo o seu papel de gestor e fiscalizador dos contratos de concessão", completa a nota.
Já o comunicado da Cortel reforçou que Zettel era conselheiro da companhia entre 2022 e 2025, "não mantendo atualmente qualquer vínculo com a empresa."
A reportagem também tenta contato com a defesa de Fabiano Zettel e aguarda retorno.

