Dino tira sigilo de decisões sobre investigação de corrupção no Maranhão

Investigações incluem o financiamento via emendas parlamentares de empresas ligadas a uma organização criminosa

Jonatas Martins e Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou nesta sexta-feira (14) o sigilo sobre três decisões que envolvem investigações de casos de corrupção no Maranhão.

Os atos incluem o financiamento via emendas parlamentares de empresas ligadas a uma organização criminosa.

A decisão detalha uma rede criminosa no Maranhão envolvida em homicídio, corrupção, desvio de dinheiro público e uma tentativa de obstrução de justiça.

Segundo o inquérito, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) estaria atuando junto ao ministro Humberto Martins, do STJ (Superior Tribunal dde Justiça), para atrapalhar a investigação da organização criminosa.

Weverton Rocha teria usado sua influência para retardar uma investigação no STJ que atingia a família Brandão, que é atualmente o eixo de poder no governo do Maranhão, liderado pelo governador Carlos Brandão (MDB).

Dados obtidos do celular do senador mostram proximidade entre ele e o ministro do STJ. A PF aponta que Weverton pedia diretamente ao ministro favores sobre processos específicos, citando até nomes de pessoas interessadas.

Dentre os episódios citados na investigação está uma ligação de cerca de cinco minutos entre os dois no dia 2 de junho de 2025. Na mesma data, o ministro ordenou a transferência de Gilbson Júnior a Brasília. Segundo a PF, essa foi a última movimentação relevante do processo, que ficou paralisado.

A suspeita é de que o senador foi pago pela Família Brandão para tentar interferir no caso investigado no STJ.

A PF relata ainda a existência de um agente da PF, Edvar Rodrigues, que vazava informações sigilosas para a família dos investigados e os pressionava a não colaborar com as autoridades.

A investigação diz ainda que o ex-deputado Raimundo Cutrim foi gravado orientando o pai de Gilbson Júnior a mentir e a inventar que a esposa do preso estava passando fome para justificar o recebimento de dinheiro. Ele também teria entregue R$ 160 mil em dinheiro vivo à família em nome de Marcus Brandão.

A assessoria do ministro Humberto Martins informou que, em razão do processo tramitar sob segredo de justiça, "não irá se manifestar sobre a matéria". A nota enviada à CNN destacou, ainda, que os autos do habeas corpus foram encaminhados ao ministro Flávio Dino.

A CNN Brasil procurou o senador Weverton Rocha para se posicionar a respeito, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.