Direita celebra Nobel da Paz para Corina Machado, opositora de Maduro

Presidente Lula e governo brasileiro ainda não se manifestaram sobre o prêmio concedido na última sexta (10) à política venezuelana

Helena Prestes, da CNN Brasil*, Brasília
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Um dia após o anúncio do Prêmio Novel da Paz para María Corina Machado, uma das principais vozes de oposição contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não se manifestou publicamente a honraria. Enquanto isso, líderes da direita brasileira e oposicionistas do petista tem celebrado o reconhecimento conferido à política venezuelana.

Machado, uma engenheira industrial de 58 anos que vive escondida, foi impedida em 2024 pela justiça venezuelana de concorrer à presidência e, assim, desafiar o presidente Nicolás Maduro, que está no poder desde 2013. Ela então se dedicou à campanha para seu substituto, o ex-embaixador Gonzalez, que saiu derrotado de uma eleição contestada pela comunidade internacional.

Desde então, Machado lidera uma frente que luta por eleições livres no país sul-americano.

 

O Comitê Norueguês do Nobel declarou, na última quinta-feira (9), a líder da oposição na Venezuela como ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2025. De acordo com o Comitê, a nomeação se deu pelo esforço de María Corina em, segundo o anúncio, "tentar manter acesa a chama da democracia venezuelana".

“Machado tem sido uma figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes estava profundamente dividida, uma oposição que encontrou um ponto em comum na demanda por eleições livres e governo representativo", justificou o comitê.

Logo que notícia sobre a premiação concedida a Machada foi tornada pública, políticos brasileiros de oposição ao governo Lula começaram a se manifestar nas redes sociais parabenizando a ganhadora.

Por outro lado, políticos alinhados ao petista adotaram uma posição de cautela, como poucas manifestações. O Itamaraty e outras pastas do Planalto ainda não se pronunciaram.

Veja abaixo a repercussão dos parlamentares da direita a respeito da premiação:

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), afirmou através das redes sociais que a concessão do prêmio Nobel à venezuelana "deslegitima o regime ditatorial de Maduro". Segundo o parlamentar, a premiação deve servir de "exemplo" para aqueles que defendem o atual governo venezuelano.

A senadora e ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tereza Cristina (PP-MS), reconheceu María Corina como "uma das vozes mais corajosas da América Latina". A parlamentar destacou que acompanha a trajetória da venezuelana "há anos" e afirmou que ela é uma "mulher que nunca desistiu de lutar por um futuro digno" para o seu povo.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) relembrou, através de publicação no X, uma afirmação do presidene Lula nas últimas eleições venezuelanas. "Lula mandou Maria Corina 'parar de chorar' quando ela foi proibida de disputar as eleições contra Maduro", afirmou o parlamentar.

Durante as últimas eleições do país, em março de 2024, o presidente foi questionado sobre a inelegibilidade da candidata latino-americana, que pretendia concorrer à presidência. Na ocasião, Lula afirmou que María não devia “ficar chorando” e sim indicar outro candidato, como fez o presidente quando não pôde concorrer em 2018.

“Eu só disse a vocês que houve, aqui nesse país, eu fui impedido de concorrer as eleições de 2018. Ao invés de ficar chorando, eu indiquei um outro candidato, que disputou as eleições”, disse Lula.

Nikolas disse ainda que Lula "segue validando uma ditadura".

O senador Sergio Moro (União-PR) afirmou que "se Maria Corina Machado fosse uma ditadora assassina e corrupta, Lula já a teria parabenizado a essa hora"

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No governo brasileiro e na base de Lula no congresso, o assunto teve pouca repercussão. Um dos poucos políticos a se manifestar foi o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que "Freddie Krugger", personagem de filmes de terror, poderá receber "o título de presidente de honra do Comitê da Honraria".