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    Doria deve construir liderança, não pode se impor no comando do PSDB, diz Leite

    Governador do RS fala sobre sucessão no PSDB, situação de Aécio Neves no partido e cenário em 2022

    Da CNN, em São Paulo

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    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, comentou nesta segunda-feira (9), em entrevista à CNN, a crise interna pela qual passa o seu partido, o PSDB.

    Nos últimos dias, o governador paulista João Doria fez articulações para assumir o comando da sigla e afastar o deputado federal Aécio Neves da sigla.

    O governador gaúcho afirmou que Doria precisa “construir a sua liderança” e não pode se impor como comandante do partido.

    “Doria merece todo meu respeito, mas assumir a presidência de um partido que tem a história do PSDB não é simplesmente dizer ‘quero assumir essa ou aquela posição’. Tem que construir a sua liderança, você não impõe”, disse, entrevistado pela âncora Monalisa Perrone e pelos colunistas Caio Junqueira e Thaís Arbex.

    Eduardo Leite afirmou que é “prematuro” discutir o comando do PSDB neste momento, mas ponderou que há “lideranças em outras regiões”. “É prematuro falar sobre a sucessão da presidência do partido e totalmente equivocado se alguém pensa que vai assumi-la. O país é continental, tem suas especificidades e lideranças em outras regiões”, avalia.

    Segundo apuração do colunista da CNN Caio Junqueira, um grupo de deputados federais do PSDB, descontente com as movimentações recentes de Doria, irá a Porto Alegre almoçar com o governador do Rio Grande do Sul, citado como possível alternativa ao paulista na liderança do partido.

    Além da direção do partido, a disputa interna também está sendo vista como uma antecipação das eleições de 2022. Eduardo Leite já foi mencionado como um possível nome para concorrer a presidente da República pelo PSDB, assim como João Doria.

    Questionado, Leite não descartou a hipótese, mas disse que acha cedo para o partido cravar uma candidatura. 

    “O Brasil precisa de alternativas, no plural. Não personalizar o debate ou que nesse momento uma pessoa imponha a candidatura”, disse.

    “Fico feliz de ter meu nome lembrado, vou buscar dar minha colaboração, mas jamais tentando me impor por uma aspiração pessoal, porque presidência da República não é para atender aspirações pessoais ou ambições específicas, é uma posição que alguém, a partir de uma liderança conquistada, representa um projeto coletivo, que é maior que a si mesmo”, completou.

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) (09.fev.2021)
    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) (09.fev.2021)
    Foto: Reprodução/CNN

    Aécio

    Aécio Neves é visto como um dos parlamentares que articula contra João Doria dentro do PSDB e estaria atuando em favor de Eduardo Leite.

    O governador gaúcho disse ter tido a “confiança frustrada” com o voto que deu em Aécio para presidente da República em 2014. No entanto, Leite relembrou que um pedido de expulsão do ex-governador de Minas já foi analisado em 2019, tendo sido rejeitado pela Executiva do PSDB.

    “Como milhões de brasileiros, depositei meu voto nele e também tive minha confiança frustrada. Do ponto de vista partidário, havia argumento para conduzir até o desligamento dele em um processo que já foi debatido. Está superado”, afirmou.

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