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    “É possível que tenhamos tanto Bolsonaro quanto Lula em palanques”, diz presidente do Republicanos à CNN

    Marcos Pereira disse que "o Brasil é um país continental, com diferentes culturas"

    O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira
    O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira 02/02/2019 - Douglas Gomes/Republicanos

    Iuri Pittada CNN

    São Paulo

    Um partido conservador, de centro-direita, que ocupa um ministério importante de um governo de esquerda. Essa síntese do Republicanos e da própria política nacional terá efeitos práticos nas eleições municipais.

    “O Brasil é um país continental, com diferentes culturas, e é possível que tenhamos tanto Jair Bolsonaro quanto Lula em palanques em diferentes cidades”, diz o deputado Marcos Pereira (SP), presidente nacional do partido, em entrevista à CNN.

    O Republicanos tem conseguido avançar nos espaços que ocupa na política, seja em capitais e grandes cidades, seja nas bancadas do Congresso Nacional.

    O principal avanço foi visto em 2022, com a eleição de Tarcísio de Freitas como governador de São Paulo, apoiado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Dois anos depois, o partido vê nele seu principal cabo eleitoral e força política para incrementar o número de prefeituras e vereadores.

    “Do mesmo modo como nossos prefeitos o apoiaram na sua eleição, penso que seja não apenas necessário, mas é elegante, que ele retribua o gesto”, afirma Marcos Pereira. “Tarcísio não terá o seu padrinho nas urnas e precisará de uma base política mais sólida. Eu, no lugar dele, pensaria melhor nisso”.

    Nesta semana, a CNN publica uma série especial de entrevistas sobre as eleições municipais de 2024 com os dirigentes dos maiores partidos brasileiros. Todas as publicações podem ser acessadas no site da cobertura eleitoral da CNN.

    Quais são as metas do partido para as eleições municipais, tanto em número de prefeituras quanto em total de votos? E em número de vereadores?

    Na ocasião da minha reeleição como presidente nacional do Republicanos, em abril, eu apresentei uma meta até módica de 300 prefeitos e 3000 vereadores. Mas sabemos que será possível fazer mais que isso. Somente em São Paulo, temos a expectativa de eleger algo em torno de 100 prefeitos. Mas mais do que a quantidade, nós do Republicanos prezamos pela qualidade e pelo comprometimento do prefeito e do vereador com o partido e nosso projeto. Isso é o mais importante.

    Quantas capitais o partido espera governar após as eleições municipais?

    O Republicanos governa hoje Vitória e Goiânia. São prefeitos que irão à reeleição. Poderemos também ter candidaturas nas cidades de Teresina e Natal, por exemplo. Estamos construindo.

    Na sua opinião, as eleições municipais vão manter a polarização vista no nível nacional, com o presidente Lula e aliados de um lado e o ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiadores do outro?

    Sim, tenho certeza de que a polarização será mantida. Porém, chamo a atenção para um fato importante. Nas eleições municipais, importa mais para o eleitor se o candidato é preparado, se conhece os problemas da cidade, se tem capacidade de realizar e se tem familiaridade com a população. Essa coisa de “padrinho político” pode dar certo num lugar ou outro, mas, na prática, o cidadão quer que vença quem tem mais capacidade para cuidar da cidade. Não é um concurso de simpatia.

    O partido terá resolução ou critérios obrigatórios para firmar alianças nas principais cidades do país? Haverá veto a algum partido?

    O Republicanos é um partido conservador, de centro-direita, e obviamente tem preferência por alianças com partidos que tenham conduta ideológica similar. Mas o Brasil é um país continental, com diferentes culturas, tornando impossível fazer algo deste tipo como obrigatório. No Republicanos, temos a tendência sempre, respeitados alguns critérios, de levar em consideração as decisões tomadas pela base, sabendo que é ela que vive o dia a dia dos municípios. A única resolução, que já está em vigor há algumas eleições, é a de que em municípios acima de 200 mil eleitores — portanto, onde há segundo turno — as decisões passam necessariamente pelas Executivas estaduais e nacional.

    Em quais palanques o partido espera contar com participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro? E algum candidato do partido poderá receber apoio do presidente Lula?

    Como disse, o Brasil é um país continental, com diferentes culturas. E é possível que tenhamos tanto Jair Bolsonaro quanto Lula em palanques em diferentes cidades. Creio que em cidades onde o Republicanos for cabeça de chapa com vice ou apoio do PL, devamos ter a participação de Bolsonaro na campanha. Com Lula, julgo que seja o mesmo, principalmente no Nordeste.

    O Republicanos está à frente do principal governo estadual do país, em São Paulo. Qual o papel que o partido espera do governador Tarcísio de Freitas nestas eleições?

    Sem dúvida, a participação do governador Tarcísio de Freitas será fundamental para o Republicanos, principalmente nas grandes cidades. Do mesmo modo como nossos prefeitos o apoiaram na sua eleição, penso que seja não apenas necessário, mas é elegante, que ele retribua o gesto. Em algumas cidades, teremos disputas entre candidatos de partidos da sua base de apoio. Portanto, serão ambientes mais sensíveis. Nestes casos, ele poderá até não se envolver, mas a preferência, lógico, é que se envolva em favor do seu partido, o Republicanos, que lhe deu todas as condições para ser eleito governador.

    Na sua opinião, o quanto as eleições municipais deste ano serão determinantes para as eleições de 2026, seja na disputa pela Presidência e por governos estaduais, seja na formação das bancadas na Câmara dos Deputados?

    As duas forças polarizadas vão disputar território nestas eleições municipais. Mas eu entendo que prefeitos têm mais poder de ajudar deputados estaduais e federais do que influenciar nas eleições dos governadores e presidentes. Veja o caso de São Paulo, por exemplo. O ex-governador Rodrigo Garcia tinha o apoio formal de mais de 500 prefeitos e não foi nem para o segundo turno. Tarcísio de Freitas tinha o apoio de apenas nove, e venceu. Claro que em 2026 o cenário será outro. Tarcísio não terá o seu padrinho nas urnas e precisará de uma base política mais sólida. Eu, no lugar dele, pensaria melhor nisso.