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    “É preciso ter ódio e nojo da ditadura”, diz Silvio Almeida nos 60 anos do golpe

    Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania se manifestou nas redes sociais neste domingo (31) acerca do rompimento democrático que marcou a segunda metade do século XX no país

    Silvio Almeida, ministro do governo Lula
    Silvio Almeida, ministro do governo Lula Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Lucas Schroederda CNN

    São Paulo

    O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, se manifestou nas redes sociais neste domingo (31) sobre os 60 anos do golpe de Estado que deu início à ditadura militar (1964-1985) no país. Parafraseando o ex-deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), o ministro declarou que é preciso “ter ódio e nojo da ditadura”.

    “Por que ditadura nunca mais? Porque queremos um país social e economicamente desenvolvido, e não um ‘Brasil interrompido’. Porque queremos um país soberano, que não se curve a interesses opostos aos do povo brasileiro. Porque queremos um país institucional e culturalmente democrático”, escreveu Almeida.

    E prosseguiu: “Porque queremos um país em que a verdade e a Justiça prevaleçam sobre a mentira e a violência. Porque queremos um país livre da tortura e do autoritarismo. Porque queremos um país sem milícias e grupos de extermínio.”

    “E, neste domingo, em que também reafirmamos nosso compromisso com as políticas de memória e verdade, lembro de um texto que escrevi em 2022: ‘[…] foi preciso odiar a escravidão e seus institutos para que ela pudesse ter fim; foi preciso odiar os nazistas e seus símbolos para derrotá-los. É imperioso odiar o fascismo e todos que o celebram. É imprescindível repudiar visceralmente e com todas as forças aqueles que humilham e destroem a vida de trabalhadores e minorias'”, continuou o ministro.

    “É preciso ter ódio e nojo da ditadura, como disse Ulysses Guimarães. Feliz Páscoa e viva a democracia!”, concluiu.

    Silêncio de Lula sobre golpe de 1964 gera “climão” no governo

    Segundo apurou o analista da CNN Pedro Venceslau, o presidente Lula decidiu não melindrar os militares e orientou que fossem evitados eventos oficiais em memória aos 60 anos do golpe militar, o que levou o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania a cancelar uma cerimônia marcada para o dia 1º de abril.

    Nos bastidores do governo federal, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e Silvio Almeida travaram uma disputa silenciosa sobre o tratamento que deveria ser dado à efeméride.

    À CNN, o historiador Rogério Sottili, diretor do Instituto Vladimir Herzog e ex-secretário de Direitos Humanos do governo Dilma Rousseff (PT), disse ver com preocupação o silêncio de Lula a respeito do tema.

    “A sociedade civil espera e vai cobrar do atual governo o cumprimento de políticas públicas de reparação e memória dos atos de violência contra a democracia na ditadura militar”, expressou Sottili.

    O ativista também cobra de Lula a promessa da recriação da Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos, que foi desativada ao final do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).