Eduardo Braga diz que depoimento de Pazuello deixa claro negacionismo do governo

Senador diz que considera importante o depoimento do governador do Amazonas na CPI da Pandemia

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN em São Paulo

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Em entrevista à CNN neste sábado (29), o senador Eduardo Braga (MDB-AM), integrante da CPI da Pandemia, disse que o negacionismo impediu que o Brasil garantisse as vacinas com mais celeridade.

“Com relação ao depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello ficou muito claro que nós não compramos as vacinas no momento que tínhamos que ter comprado por negacionismo, por falta de vontade política, por falta de decisão do governo que resolveu, por informações paralelas ou por convencimento próprio, apostar em uma imunização de rebanho que efetivamente não deu e não dará certo.”

O senador Eduardo Braga afirmou que a demora para firmar contratos de compras das vacinas não aconteceu apenas com o Instituto Butantan e a Pfizer. “Até mesmo com a Fiocruz, e outros laboratórios que não estão resolvidos com a Anvisa, essa falta de planejamento fez com que não tivéssemos os contratos assinados a tempo para que nós pudéssemos ter as vacinas no primeiro semestre deste ano. Se nós insistirmos neste mesmo negacionismo, nós vamos acabar tendo ainda problemas no segundo semestre”, diz.

Braga diz que o depoimento da direção da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo desenvolvimento do imunizante de Oxford/AstraZeneca, será importante para esclarecer sobre os atrasos da vacina. “Vamos ouvir logo a seguir a Fiocruz que vai trazer também fatos relevantes sobre a questão da vacinação. O Brasil precisa ter mais vacinas no menor tempo possível.”

Em relação ao Instituto Butantan, que produz a Coronavac, o senador reconheceu a importância do órgão para que o Brasil começasse a campanha de vacinação em janeiro. “No começo deste ano, se não fosse a Coronavac, nós não teríamos sequer iniciado a vacinação no país. E lamento, porque poderíamos ter iniciado antes e poderíamos ter um volume maior de vacinas da Coronavac sendo aplicadas.”

Senador Eduardo Braga (MDB-AM) integrante da CPI da Pandemia (29 de maio de 2021
Senador Eduardo Braga (MDB-AM) integrante da CPI da Pandemia (29 de maio de 2021)
Foto: Reprodução / CNN

Convocação de governadores

O senador considera importante a CPI da Pandemia investigar os repasses que foram feitos pelo governo federal aos estados e municípios. Em relação aos 18 governadores que decidiram recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a convocação, Braga diz que esta é uma decisão do Supremo, mas em relação ao estado do Amazonas, ele considera imprescindível o depoimento do governador Wilson Lima (PSC).

“O Supremo, quando determinou a instalação da CPI da Covid-19, determinou que fosse instalado sob o estado do Amazonas na crise do oxigênio, que todo o povo brasileiro acompanhou cenas dramáticas”, disse.

“A liderança é do Ministério da Saúde e tem que haver compromisso e transparência por parte dos estados e dos municípios para que a gente possa salvar vidas”, conclui.

 

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