CPI supera expectativa e aponta responsabilidade do governo, diz Renan Calheiros

Relator da CPI da Pandemia disse que não deve apresentar relatório preliminar das investigações

Anna Satie, da CNN em São Paulo
28 de maio de 2021 às 18:37 | Atualizado 28 de maio de 2021 às 18:45
senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Um mês após a instalação da CPI da Pandemia, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) disse nesta sexta-feira (28) em entrevista coletiva em Brasília que as investigações superam as expectativas e que considera que vidas poderiam ter sido salvas com uma postura diferente do governo. 

"Estamos chegando ao final de 30 dias de trabalhos bem-sucedidos, não há vertente que haja frustrado as expectativas, pelo contrário, tudo tem caminhado além das expectativas que anteriormente tínhamos", declarou.

Até o momento, a CPI ouviu figuras importantes para o enfrentamento à pandemia no país, como os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo, além do presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas

"Se algo pudesse ser dito como antecipação, de tudo que até agora se observou, diria que nós já temos clareza absoluta, com 100% de convicção, de que muitas vidas poderiam ter sido salvas se o governo tivesse adotado um comportamento público com decisões lógicas e objetivas, em favor da ciência e em defesa da vida dos brasileiros", disse Renan, acrescentando que, até o momento, não planeja entregar um relatório preliminar da apuração. 

"O relatório preliminar só tem sentido quando quando se esgota algum aspecto da investigação. Quando não se esgota ou tem procedimentos democráticos a adotar, como ouvir o contraditório, é importante seguir o processo sem ansiedade, sem agonia, para que a investigação seja correta, isenta, apropriada e do tamanho que a sociedade cobra de todos nós", afirmou. 

Reconvocação de Eduardo Pazuello 

O senador comentou sobre o requerimento para reconvocar o ex-ministro Eduardo Pazuello, aprovado na última quarta-feira (26). 

"A reconvocação de Pazuello foi, no melhor sentido, um 'por favor, pare um pouco, você já causou um mal muito grande ao povo brasileiro. Se acautela, deixe de aglomerar, de estimular essas coisas, já não basta o que fez quando estava a frente do Ministério?'", disse. "A convocação tem caráter pedagógico fundamental, senão essa prática soa como desrespeito aos trabalhos da comissão e não podemos aceitar que isso aconteça". 

No último domingo (23), Pazuello participou, sem máscara, de um ato no Rio de Janeiro ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Renan avaliou ainda que o melhor depoimento até o momento foi o dessa quinta-feira (27), do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. 

"O depoimento do professor foi a maior colaboração que tivemos. Esperamos ter outros depoimentos importantes", falou. 

Convocação dos governadores

Ao lado de Calheiros, estava o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que disse ter sido convencido da importância do depoimento dos governadores à CPI. 

"Acho até que os governadores podem dar contribuições importantes. Eles que estão na ponta enfrentando a pandemia. É importante para perguntar: 'Tem coordenação nacional? Qual apoio vocês têm recebido?", concedeu ele, que era contrário ao requerimento. 

A CNN apurou que ao menos 19 governos estaduais pretendem ingressar com pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para desobrigar os chefes de governos locais a comparecerem à comissão do Senado.

"O requerimento ocorreu, não era adequado, mas vai ter uma decisão do Supremo. No que é preceituado, no nosso sentimento, na Constituição, no artigo 146 do regulamento interno do Senado, não pode. Mas, se puder, tem inclusive requerimento de convocação do presidente da República", falou Randolfe. "Acho que os governadores inclusive podem contribuir, até quem sabe na qualidade de convidados. Eles têm informações sobre os conflitos nos estados com o presidente da República que talvez necessitem de esclarecimento".