Em suposto áudio, Cid diz que se sentiu abandonado e criticou Valdemar
Áudios de conversas do ex-ajudante de ordens foram divulgados pelo Supremo Tribunal Federal na segunda-feira (16)
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), teria afirmado em mensagens que se sentia abandonado por aliados e criticado o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por não defender sua situação.
“Valdemar deu entrevista, falou do Max, do Cordeiro e de mim. Ah, que legal, né? O Valdemar não defende o Max, o Cordeiro e também não nos defende. Então assim, é complicado, é complicado você se sentir isolado”, disse Cid.
O ex-ajudante de ordens também teria lamentado a inércia daqueles que, segundo ele, tinham poderes para agir.
“Tenho amigos, tenho você, o Paulo, a gente pode desabafar e conversar, mas não tem força para fazer nada. Quem tem força para fazer alguma coisa está com as mãos amarradas.”, complementou Cid.
As declarações constam em áudios que foram tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (16), dias após a revista Veja publicar capturas de tela das mensagens trocadas pelo perfil @gabrielar702 no Instagram com um interlocutor não identificado.
A defesa de Mauro Cid, delator na ação penal do plano de golpe, alega que as mensagens reveladas pela revista e atribuídas ao militar não são verdadeiras.
O advogado Eduardo Kuntz, que atua na defesa de um dos réus da ação penal do plano de golpe, informou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ter mantido conversas com Cid pelo Instagram nos primeiros meses de 2024.
As conversas teriam acontecido durante o período em que as investigações conduzidas pela Polícia Federal ainda estavam em curso e em que Cid estava proibido de manter contato ou utilizar as redes sociais para se comunicar.
O advogado Eduardo Kuntz, que defende o coronel Marcelo Câmara, no entanto, anexou à ação penal de seu cliente um documento autointitulado "defesa prévia" e uma ata notarial com 51 páginas. A ata mostra prints das conversas mantidas entre Cid e Kuntz entre 29 de janeiro e 13 de março de 2024.
No interrogatório a que foi submetido na semana passada no STF, o ex-ajudante de ordens afirmou que não usou redes sociais no período em que estava sob medidas restritivas.
Ao ser questionado pelo advogado Celso Vilardi, que representa Bolsonaro, se fez uso de um perfil no Instagram que não está no nome dele, Cid respondeu desconcertado que “não”. “Todos os meus celulares foram apreendidos”, completou.
Vilardi então pergunta se Cid “conhece um perfil chamado @gabrielar702?”. Cid responde: “Esse perfil, eu não sei se é da minha esposa”.


