Em debate na CNN, senadores discordam sobre uso da cloroquina contra a Covid-19

Para Luis Carlos Heinze (PP-RS), medicamento 'salva vidas', enquando Humberto Costa (PT-PE) lembra que a ciência já provou a ineficácia

Por Gregory Prudenciano e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília

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O uso da cloroquina como tratamento contra a Covid-19 esteve em destaque nas sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia desta semana, e se tornou o principal ponto de discórdia entre os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) no debate promovido nesta sexta-feira (7) pela CNN

Costa, que é membro titular da CPI, afirmou que o debate a respeito da eficácia da cloroquina no tratamento da doença causa pelo novo coronavírus já foi superado há muito tempo e que só no Brasil ainda há essa discussão. 

“Não é que a cloroquina não tenha comprovação de que atua para a melhora, é que há comprovação de que ela não tem qualquer eficácia para o enfrentamento da Covid-19”, disse o petista. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o tratamento com a hidroxicloroquina é ineficaz contra a Covid-19. 

Pílulas de hidroxicloroquina
Para SBP, prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina para crianças e adolescentes é inadequada em razão da falta de evidências consistentes
Foto: George Frey – 27.mai.2020 / Reuters

Heinze, que integra a CPI como suplente, é defensor do chamado “tratamento precoce” e, mesmo sem apresentar provas, afirma que o uso da cloroquina está salvando vidas Brasil afora. Para o senador pelo Rio Grande do Sul, os tratamentos com o medicamento são “sérios” e há dados que mostram menor letalidade em municípios que adotaram a cloroquina contra a Covid-19. 

“Se nós fizéssemos esse tratamento da forma como ele teria sido preconizado, com os médicos receitando, se tirássemos a política de lado, se déssemos a liberdade aos médicos e à própria população de escolher, os resultados das mortes até agora seria totalmente diferente”, defendeu Heinze.

Trabalho da CPI

O senador Heinze, que é alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), criticou a CPI da Pandemia, a qual classificou como “política” e com “endereço certo”. Também criticou a cobertura da imprensa sobre a pandemia, que na sua perspectiva estaria focando de maneira exagerada nas mortes e falando pouco sobre “números positivos”. 

Já Humberto Costa, de oposição, se disse satisfeito com os depoimentos prestados na CPI durante a semana, que incluíram os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual titular, Marcelo Queiroga. 

Para Costa, os primeiros depoimentos mostram que o governo Bolsonaro “atuou intencionalmente para que nós tivéssemos um processo de ampliação do contágio”, de forma que o Brasil alcançasse a chamada “imunidade coletiva”. Na linha oposta de Heinze, Costa elogiou o trabalho da imprensa na pandemia. 

Questionados sobre eventuais problemas na importação de insumos chineses necessários à fabricação da vacinas no Brasil, os senadores também discordaram. Para Costa, o presidente Jair Bolsonaro e seu governo fazem “ataques gratuitos” ao governo chinês, enquanto Heinze afirmou que a relação entre os países vai bem e que, assim como o Brasil precisa do país asiático para fazer vacinas, os chineses necessitam dos alimentos produzidos no Brasil. 

Debate entre o Senador Humberto Costa (PT-PE) e o Senador Luiz Carlos Heinze (PP
Debate entre o Senador Humberto Costa (PT-PE) e o Senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), mediado pela âncora da CNN Daniela Lima (7.mai.2021)
Foto: CNN Brasil

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