OMS: Hidroxicloroquina não funciona contra Covid-19 e pode causar efeito adverso

Especialistas da Organização Mundial da Saúde afirmam que financiamentos com a droga para combater o coronavírus devem ser reconsiderados

Raphael Coraccini, colaboração para a CNN
02 de março de 2021 às 08:56 | Atualizado 02 de março de 2021 às 11:57

A Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que a hidroxicloroquina não funciona no tratamento contra a Covid-19 e alertou ainda que seu uso pode causar efeitos adversos. O medicamento passou por uma análise de um grupo de especialistas e pacientes e recebeu “forte recomendação” contra o uso no combate ao coronavírus.

O grupo de 32 debatedores da OMS classificou a ineficiência da droga para tratamento de Covid-19 como de “alta certeza”. Eles sugeriram ainda que “os financiadores e pesquisadores devem reconsiderar o início ou continuação dessas experiências”. O documento foi publicado pela revista científica The BJM.

No Brasil, o medicamento foi constantemente apontado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O relatório da OMS aponta ainda que a cloroquina “provavelmente aumentou os eventos adversos”, o que levaram à descontinuação do uso desse medicamento nos tratamentos contra a Covid-19, diz o texto.

O documento produzido a partir do debate apontou ainda que a “hidroxicloroquina é um imunomodulador usado para tratar a artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico” e que políticas públicas voltadas para o tratamento de outras doenças por meio de cloroquina podem trazer dificuldades para quem precisa do medicamento para tratar outras doenças, para as quais ele é realmente eficaz.

Comprimidos de cloroquina produzidos pelo Exército brasileiro
Comprimidos de cloroquina produzidos no Laboratório Químico Farmacêutico do Exército brasileiro
Foto: LQFex/Exército Brasileiro (31.mar.2020)

O grupo de debate se mostrou preocupado com “o desvio de estoques de hidroxicloroquina de pacientes com outras condições para os quais este medicamento é indicado”.

Participaram do debate uma maioria de especialistas, entre pesquisadores, médicos, especialistas em ética e em metodologias de pesquisa científica, além de quatro pacientes que sobreviveram à Covid-19. Os debatedores tiveram como ponto de partida a experiência dos pacientes e dos médicos com a droga, além das conclusões levantadas por 6.059 ensaios produzidos por especialistas sobre os efeitos da cloroquina.

O grupo conclui que, a hidroxicloroquina “não é mais uma prioridade de pesquisa e que os recursos devem ser direcionados para avaliar outras drogas mais promissoras para prevenir Covid-19.”