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    Em meio a indefinições sobre eleição em SP, PSDB define comando do partido neste domingo (25)

    Especialistas ouvidos pela CNN avaliaram o cenário atual do partido, que enfrentou reveses nas últimas eleições

    Lucas SchroederVictor Aguiarda CNN

    São Paulo

    Em meio a disputas internas e sem definição sobre o caminho a tomar na eleição paulistana deste ano, o PSDB realiza, neste domingo (25), convenção que definirá o comando do diretório estadual em São Paulo.

    Os tucanos chegaram a um consenso e apresentarão chapa única para comandar a legenda no estado, segundo informou anteriormente a CNN.

    Quem ficará na chefia do partido?

    O atual presidente da sigla no estado, Marco Vinholi – secretário de Desenvolvimento Regional na gestão do governador João Doria -, deve ser reconduzido ao comando em uma chapa única que reúne a ala “covista” e o grupo do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que será aclamado como pré-candidato à Presidência em 2026. A apuração é do analista da CNN Pedro Venceslau.

    O governador gaúcho deixou a presidência nacional do PSDB e transmitiu o cargo a Marconi Perillo em novembro de 2023 após tucanos paulistas acionarem a Justiça para anular a convenção que elegeu Leite.

    A chapa que comandará o partido no estado conta com:

    • Rodrigo Garcia, ex-governador;
    • José Aníbal, ex-senador;
    • Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto;
    • Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo;
    • Paulo Serra, prefeito de Santo André;
    • e Tomás Covas, filho do ex-prefeito Bruno Covas.

    “Eu tenho certeza que a gente vai sair dessa convenção com o PSDB unido, focado no projeto que passa por 2024, mas com prioridade para o projeto nacional de 2026, que é hoje liderado pelo Eduardo Leite e pelo nosso presidente nacional Marconi”, afirmou à CNN Paulo Serra, presidente da Comissão Provisória Estadual do PSDB em São Paulo.

    PSDB se divide sobre quem apoiar nas eleições em SP

    De acordo com Marco Vinholi, a decisão sobre a eleição na capital paulista será tomada no dia 6 de março, data que marca o início da janela partidária.

    Existem três posições em debate na sigla:

    Cenário de rachas

    Para o cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Eduardo Grin, o cenário de rachas internos do PSDB e reveses nas eleições pode ser consequência de uma mudança geracional em curso na legenda desde 2014, quando Aécio Neves (PSDB) foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) no 2º turno das eleições presidenciais.

    “Essa mudança geracional, com a perda dos chamados ‘cabeças-brancas’ em nome da nova geração, os chamados ‘cabeças-pretas’, da qual o Aécio tenha sido talvez a grande expressão. O [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso sai de cena, o Aloysio Nunes perde espaço, outras lideranças já haviam falecido. Então, essa mudança geracional também um efeito bastante significativo”, ressalta.

    Grin aponta ainda que o partido vem perdendo sucessivamente o comando de prefeituras em São Paulo — estado em que historicamente sempre teve muita força desde sua fundação, em 1988 –, além de não controlar mais o governo estadual após 28 anos de gestões tucanas.

    “O PSDB, praticamente desde a sua fundação, sempre esteve com o governo de São Paulo na mão, que é uma máquina em questão de recursos, em termos de capacidade política. Não tendo essas estruturas para colocar seus quadros e seus militantes, a situação do PSDB vem ficando cada vez mais difícil”, indica Grin.

    Na visão do especialista, a chance de a sigla sair das eleições municipais deste ano ainda mais enfraquecida não pode ser descartada.

    A situação estadual do PSDB é muito dramática nesse sentido. Vai entrar numa eleição com poucos prefeitos e a chance do partido sair ainda menor não é desprezível.

    Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV-SP

    Para Bruno Bolognesi, cientista político, professor e coordenador do Laboratório de Partidos e Sistemas (LAPeS) da UFPR, outro fator que pode elucidar o desempenho abaixo do esperado do PSDB nas últimas eleições, argumenta Bolognesi, é o descompasso entre o diretório nacional e os estaduais da legenda.

    “O PSDB não tem militância, não tem eleitor fiel, não tem uma estrutura fora do Estado que mantém o partido e é isso que faz o PSDB ser derrotado: esse desequilíbrio entre uma elite nacional do partido muito centralizadora e uma elite estadual muito descentralizada, com muita autonomia. Os estados conseguem peitar a elite nacional e isso vira um fonte de conflito e eventualmente de derrota para o partido”, diz Bolognesi.

    *Com informações de Pedro Venceslau, da CNN, em São Paulo