Em reunião com Fux, Ciro pretende garantir que Bolsonaro respeitará Constituição

Desde o final de semana, integrantes do Centrão tentam convencer Bolsonaro a não apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF

Gustavo Uribeda CNN

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O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, pretende garantir ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não descumprirá os preceitos da Constituição Federal.

Na próxima quarta-feira (18), após a sessão da Suprema Corte, o presidente nacional do PP tem um encontro com o magistrado. A reunião reservada foi marcada na semana passada, em meio a uma piora na relação entre Executivo e Judiciário.

Segundo relatos de dois aliados do líder do Centrão, o ministro deve diferenciar no encontro a retórica política do presidente da agenda do governo federal e salientar a importância de uma relação harmônica entre Executivo e Judiciário.

Neste final de semana, Bolsonaro anunciou que vai pedir ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), abertura de processo contra os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

A tendência, segundo aliados de Pacheco, é de que o parlamentar não leve adiante nenhum dos pedidos. Por isso, lideranças do centrão têm tentado convencer Bolsonaro a desistir da iniciativa.
A ideia do encontro da próxima quarta-feira é que o senador se apresente de maneira formal como ministro da Casa Civil e como novo interlocutor do Palácio do Planalto com a Suprema Corte.

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República/Divulgação

Apesar da ofensiva de Ciro, a aproximação é vista com ceticismo por ministros da Suprema Corte. Na avaliação deles, apenas uma mudança de postura de Bolsonaro, o que é avaliado como improvável, poderá reestabelecer o diálogo entre Executivo e Judiciário.

Nas palavras de um integrante da Suprema Corte, o clima hoje no STF é de impaciência com as críticas de Bolsonaro e a aposta é de que a relação siga turbulenta até a eleição de 2022, já que a avaliação é de que o presidente não abandonará tão cedo a retórica de desconfiança em relação às urnas eletrônicas.

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