Embaixada nega ter ajudado soldado israelense a deixar o Brasil

Diplomatas sustentam que ideia partiu do próprio militar

Gabriela Prado, da CNN, São Paulo
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Integrantes da Embaixada de Israel no Brasil negam que houve ajuda financeira ou pedido expresso para que o soldado israelense Yuval Vagdani deixasse o Brasil, após a Justiça Federal determinar investigações sobre supostos crimes de guerra.

De acordo com as fontes diplomáticas, o militar recebeu orientações sobre o funcionamento do processo e da investigação, e que partiu dele próprio a decisão de sair do país.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que a embaixada israelense no Brasil fez contato com o soldado e a família dele, "prestando apoio durante todo o evento e garantindo sua saída rápida e segura" do país.

Vagdani estava como turista na Bahia, quando a Justiça brasileira ordenou que a Polícia Federal investigasse a prática de possíveis crimes de guerra do soldado no conflito na Faixa de Gaza.

A determinação à PF foi expedida pela juíza federal Raquel Soares Chiarelli, em 30 de dezembro de 2024. Em nota divulgada neste domingo (5), a PF confirmou o recebimento da determinação e disse que "analisa a adoção das medidas pertinentes".

A CNN apurou que o soldado deixou o país no sábado, em voo de Salvador (BA) para Buenos Aires, capital da Argentina.

O pedido inicial de investigação foi feito por meio de uma notícia-crime, formulada pelos advogados Maira Machado Frota Pinheiro e Caio Patrício de Almeida, que alegaram que Yuval Vagdani, cidadão israelense e possível "criminoso de guerra", encontrava-se em território nacional.

Os advogados alegaram que o Brasil, como signatário de tratados internacionais, tem o dever de reprimir tais crimes, mesmo que tenham sido cometidos fora do território nacional.

Em nota, o governo israelense afirmou que tem "chamado a atenção" dos israelitas para publicações feitas nas redes sociais sobre o serviço militar. "Elementos anti-israelenses podem explorar essas publicações para iniciar processos judiciais infundados contra eles", afirmou o governo.

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