Entenda o caso Flávio-Vorcaro em 6 pontos

Senador negociou o repasse de R$ 134 milhões com ex-banqueiro Daniel Vorcaro; dinheiro seria supostamente usado no filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Alan Cardoso, da CNN Brasil*, São Paulo
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Na última quarta-feira (13), vazaram mensagens que mostram a negociação de um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, entre o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.

O valor seria usado para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo reportagem divulgada pelo Intercept Brasil. Entretanto, a produtora do filme negou ter recebido recursos do banco Master. Entenda o que se sabe sobre o caso Flávio-Vorcaro até agora.

  • O que diz as mensagens entre Flávio e Vorcaro

Nas mensagens de áudio enviadas por Flávio a Vorcaro, o senador relata que está passando por momentos de dificuldade para conseguir arcar com os custos da produção.

Flávio também cobra Vorcaro para dar continuidade aos pagamentos e diz que está correndo o risco de “não honrar compromissos”.

Durante a conversa, Flávio chama Vorcaro de "irmão". Em outro momento, o filho mais velho de Bolsonaro presta solidariedade ao banqueiro que já era alvo de investigação.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio Bolsonaro a Vorcaro, no dia 16 de novembro de 2025, um dia antes da operação da PF (Polícia Federal) que prendeu o ex-dono do Banco Master no Aeroporto de Guarulhos.

Em entrevista à CNN Brasil, Flávio negou ter intimidade com Daniel Vorcaro. O senador afirmou ainda que o uso do termo “irmão” é o "jeito carioca de falar".

  • Contrato de confidencialidade

Flávio afirmou que foi apresentado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo empresário Thiago Miranda em dezembro de 2024 e que omitiu o contato com o dono do banco Master em decorrência de um contrato de confidencialidade, mas negou a existência de qualquer outro acordo com o ex-dono do Banco Master, além daqueles que dizem respeito ao filme em questão.

"Eu não falei que é mentira, eu tenho contrato de confidencialidade. Eu não tenho nenhum contato com Vorcaro, a não ser para falar de filme (...). Eu não podia descumprir os contratos. Se eu falasse que conhecia, teria que explicar qual era a relação, mas quis me preservar. Essa cláusula é importante."

  • Medo de aparecer

Na sequência, o senador argumentou que os contratos envolviam outros investidores que também possuem contrato de confidencialidade e preferiram manter o anonimato por "medo", segundo ele, de perseguição política.

"Os outros dez investidores, ninguém quer aparecer, todos têm contrato de confidencialidade, porque têm medo", afirmou.

  • Produtora do filme nega patrocínio

A produtora GOUP Entertainment afirmou em nota que não recebeu um "único centavo" do Banco Master ou de qualquer outra empresa que Daniel Vorcaro tivesse participação.

O deputado federal Mário Frias, produtor executivo da cinebiografia, também afirmou que “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”.

Entretanto, posteriormente, Frias admitiu o recebimento de um valor pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com outros negócios comandados por Vorcaro. “O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", disse Frias.

  • Advogado de Eduardo Bolsonaro recebeu parte do dinheiro

Do valor enviado por Vorcaro, US$ 2 milhões teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas denominado Havengate Development Fund LP, que tem como um dos responsáveis legais Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

Uma das suspeitas é que parte do valor teria sido usada para bancar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

Em entrevista à CNN Brasil, Flávio negou que Eduardo Bolsonaro tenha gerenciado recursos captados para o filme. O senador também negou que recursos do fundo privado utilizado para financiar o filme tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro.

A Polícia Federal iniciou uma nova linha de investigação para apurar se o dinheiro foi destinado para o filme ou se a produção serviu para camuflar o repasse das verbas.

  • Flávio confirma negociação com Vorcaro

O senador confirmou ter pedido dinheiro para o ex-dono do Banco Master: "era um filho procurando patrocínio", disse.

Em entrevista à CNN Brasil, Flávio afirmou que o dinheiro que pediu ao ex-dono do Banco Master foi “100% investido no filme".

O senador ainda argumentou que pediu à produtora responsável pelo filme para mostrar o contrato da produção, mas que para isso é necessário checar se há algum impedimento legal.

Flávio declarou também que Vorcaro fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Segundo o senador, a partir do momento que os pagamentos deixaram de ser honrados, as relações entre ele e Vorcaro terminaram.

*Sob supervisão de Leandro Bisa, da CNN Brasil