Lula sobre big techs: Se não quiserem regulação, que saiam do Brasil

Em entrevista a agência de notícias, presidente brasileiro afirmou que país é "soberano" e não pode adotar a "ideia" de que não pode regular empresas do setor

Henrique Sales Barros e Leonardo Ribbeiro, da CNN, Yasmin Silvestre, São Paulo e Brasília
Lula: "Esse país é soberano, tem uma Constituição e uma legislação"  • Reprodução/Reuters
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou a “ideia" de que o Brasil "não pode" regular a atuação de multinacionais do ramo de tecnologia (conhecidas como "big techs") no país. Fala acontece durante embate do governo americano com o Brasil.

"Esse país é soberano, tem uma Constituição e uma legislação. É da nossa obrigação regular o que a gente quiser regular, de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro", disse Lula em entrevista à agência de notícias Reuters veiculada nesta quarta-feira (6).

"Se não quiser regulação, então que saiam do Brasil. Não existe outro mecanismo", acrescentou.

Em carta endereçada a Lula em que anunciou que imporia um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) - classificadas por ele como "secretas e ilegais" - contra redes sociais e plataformas americanas.

As ordens visavam a derrubada de conteúdos e perfis, no âmbito de inquéritos e processos que miravam contra o que seriam ataques coordenados contra o Judiciário e o processo eleitoral brasileiro.

Em julho, Lula afirmou que o Brasil passaria a cobrar imposto de “empresas americanas digitais”, mas especificou como essa possível cobrança seria feita e nem detalhou quais empresas seriam afetadas.

Atualmente, grandes multinacionais que atuam no Brasil pagam uma alíquota mínima de 15% sobre o lucro. Não há, porém, impostos incidindo exclusivamente sobre plataformas digitais e redes sociais estrangeiras, que poderiam se enquadrar na taxação ventilada por Lula em julho.

* Sob supervisão de Henrique Sales Barros