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    Exclusivo: “Acho que estão tentando criar uma cortina de fumaça comigo”, diz à CNN servidor exonerado do TSE

    Alexandre Machado afirma não ter feito nada de errado e disse ter sido exonerado “sem saber o motivo e sem nenhum tipo de conversa”

    Marcos Guedesda CNN

    em Brasília

    O servidor Alexandre Gomes Machado, exonerado na noite desta terça-feira (25) do cargo de assessor de gabinete da Secretaria Judiciária da Secretaria-Geral da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse em entrevista exclusiva à CNN que “estão tentando criar uma cortina de fumaça” sobre a exoneração ocorrida horas após a campanha do candidato Jair Bolsonaro (PL) protocolar uma petição para sustentar a denúncia de que há discrepâncias entre as inserções publicitárias das duas campanhas.

    A exoneração de Machado foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na manhã desta quarta.

    Ele exercia o cargo de coordenador do pool de emissoras e era o responsável pelo recebimento dos arquivos com as peças publicitárias e da disponibilização no sistema eletrônico do TSE, para que sejam baixadas pelas emissoras de rádio e TV.

    “Eu não fiz nada de errado e fui exonerado sem saber o motivo e sem nenhum tipo de conversa”, explica o ex-servidor. A CNN procurou o TSE e a campanha de Bolsonaro para comentários sobre as alegações de Machado – e aguarda retorno.

    Em nota, o TSE afirmou que a exoneração de Machado “faz parte das alterações que o presidente da corte, Alexandre de Moraes, tem promovido em sua equipe após assumir o cargo”.

    A contestação da campanha de Bolsonaro em relação às divergências nas inserções publicitárias, sobretudo na região nordeste do país, está baseada em um documento elaborado pela empresa de auditoria de mídia Audiency Brasil Tecnologia Ltda.

    Os dados da auditoria apontam que as emissoras deixaram de veicular mais de 150 mil inserções de propaganda eleitoral do presidente.

    Questionado sobre o processo de disponibilização e inserção das peças publicitárias enviadas pelas campanhas do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT), Machado explicou que é de fácil verificação no site do TSE que todas as peças foram disponibilizadas e que ele não fiscaliza se as rádios pegaram os conteúdos.

    “Em tese, eu não tenho nada a ver com a fiscalização. O meu trabalho é fazer com que as rádios tenham o conteúdo. Eu tinha feito todo o meu trabalho e achei que estava tudo tranquilo”, justifica Machado.

    Alexandre Machado ocupava o cargo do qual foi exonerado no TSE desde abril deste ano. Anteriormente, ele já havia trabalhado no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

    Nas redes sociais, Machado tem o hábito de fazer postagens que debatem temas sociais e políticos.

    Em setembro de 2016, ele chegou a compartilhar uma uma reportagem sobre a atuação do atual presidente do TSE, o ministro Alexandre de Moraes, que na época era ministro da Justiça e que foi acusado de vazar informações de operações da Lava Jato que ainda estavam para acontecer ao Planalto. A PF negou o fato.

    Publicação de Alexandre Machado, servidor exonerado do TSE, em setembro de 2016
    Publicação de Alexandre Machado, servidor exonerado do TSE, em setembro de 2016 / Reprodução/Redes Sociais

    Não compete ao TSE a distribuição de propaganda de candidatos

    Em seu site, o tribunal informou que “compete às emissoras de rádio e de televisão cumprirem o que determina a legislação eleitoral sobre a regular divulgação da propaganda eleitoral durante a campanha”.

    “Para isso, os canais de rádio e TV de todo o país devem manter contato com o pool de emissoras, que se encarrega do recebimento das mídias encaminhadas pelos partidos, em formato digital, e da geração de sinal dos programas eleitorais”, diz o TSE.

    O pool de emissoras de rádio e televisão é localizado na sede do TSE e é formado por representantes dos principais canais de comunicação do país. O espaço conta também com uma equipe de servidores do Tribunal.

    Veja o depoimento do servidor exonerado à Polícia Federal:

    Depoimento de Machado à PF obtido pela CNN / Reprodução