EUA querem enviar funcionários ao Brasil para questionar urnas, diz jornal
Comitiva norte-americana viria à Brasília para questionar sistema eleitoral brasileiro; Itamaraty barrou vistos

O governo do presidente Donald Trump pretende enviar ao Brasil altos funcionários do Departamento de Estado para questionar a integridade das urnas eletrônicas antes das eleições de outubro. A informação foi divulgada pelo jornal americano Washington Post.
A CNN confirmou que o Itamaraty negou na sexta-feira (24) pedidos de visto a dois funcionários do Departamento de Estado que visitariam o Brasília nos próximos dias.
De acordo com a reportagem publicada pelo The Post, a comitiva incluiria o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
A intenção era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. As possíveis agendas na capital federal não foram reveladas, mas os pedidos de vistos levantaram suspeitas de autoridades brasileiras sobre uma possível motivação ligada ao pleito eleitoral.
Em posicionamento enviado ao The Post, o Departamento de Estado confirmou que Barnes e Samson planejavam viajar para Brasília na próxima semana, mas não detalharam o objetivo da visita. Procurados, Barnes e Samson não responderam o contato do jornal americano.
Em nota, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou ter sido procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita de integrantes do governo norte-americano, mas não recebeu informações sobre a temática da agenda. Segundo o tribunal, a agenda não foi marcada em razão do recesso do Judiciário.
A Corte Eleitoral afirmou que o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do tribunal, já participou de reunião com embaixadores sobre o processo eleitoral, em junho, e um novo encontro será realizado em agosto. "A diplomacia dos EUA será convidada, além de todos os países com representação no Brasil", disse o TSE.
De acordo com o TSE, já aceitaram acompanhar as eleições de outubro no Brasil: OEA (Organização dos Estados Americanos), União Europeia, Parlasul, Carter Center, Uniore e ROJAE-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa). Também foram convidadas a União Africana e a Liga Árabe.
Desde 2021, uma resolução da Justiça Eleitoral regulamenta e define critérios para as Missões de Observação Eleitoral (MOE).