Ex-secretário: Bolsonaro quase terminou live contra urnas sem chamar Torres
Antonio Ramiro Lourenzo foi secretário-executivo do Ministério da Justiça e depôs ao Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (28), como testemunha de defesa de Anderson Torres

Em depoimento na condição de testemunha do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-secretário executivo do Ministério da Justiça Antonio Ramiro Lourenzo afirmou que o então chefe da pasta quase não participou da live realizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2021, em que se discutiu a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
"Por muito pouco ele não participou, o presidente ensaiou que ia finalizar a live então um assistente se rastejou de baixo da mesa até o presidente e lembrou que o Torres estava do lado de fora e lembra que ele estava com o relatório então o presidente chama ele para participar", afirmou durante oitiva ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28).
De acordo com ele, a transmissão ao vivo, inicialmente, seria realizada no Ministério da Justiça, mas, depois de algumas conversas, decidiram levá-la para o Palácio da Alvorada.
"Foi um evento emblemático para a gente do ministério. Eu recebi um telefonema da Secom [Secretaria de Comunicação] informando que haveria a live e que, dessa vez, seria no Ministério da Justiça com a presença do Torres e a pauta seria urnas. Eu fiquei surpreso e depois fui despachar com o ministro", afirmou.
Quando tomou conhecimento do planejamento da transmissão e também da participação de Torres, Antonio Ramiro disse que a ideia principal era de que ele trouxesse apenas “conteúdos técnicos”.
“Conversamos bastante e imaginamos um cenário com três ações a serem tomadas: retirar essa live no Ministério da Justiça, diminuir a exposição do Torres nessa live, e buscar algum conteúdo técnico que pudesse ser dito sem maior comprometimento”.
Ao ser questionado sobre se o então ministro da Justiça teria a liberdade de não comparecer, Antonio disse que essa possibilidade não era deslumbrada, mas que a exposição de Torres “preocupava bastante”.
“Eu tive uma participação direta. Como eu disse, a pauta era polêmica e não havia indícios de problemas nas votações eletrônicas e a exposição do ministro nessa live nos preocupava bastante.”
Foi então que decidiu pedir os relatórios referente às eleições produzidos pela Polícia Federal que pudessem ser lidos por Torres.
“Eu recebi os relatórios e buscava algo que o ministro pudesse ler e que ele se prendesse apenas a coisas técnicas feitas pelos peritos da PF. Até porque não havia qualquer indício forte, mas que ele participasse com conteúdo técnicos”, reiterou.


