Ex-secretário responsabiliza Saúde por demora na compra de vacinas da Pfizer

Quando perguntado sobre o que poderia explicar o fato de o acordo não ter sido fechado, Fabio Wajngarten respondeu: 'incompetência e ineficiência'

Da CNN, em São Paulo

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O ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten afirmou, em entrevista à revista Veja, que o Brasil não comprou antes vacinas da Pfizer por “incompetência” e “ineficiência” do Ministério da Saúde, à época comandado por Eduardo Pazuello.

À revista, Wajngarten afirmou que soube que a Pfizer havia enviado uma carta ao governo federal oferecendo seu imunizante e que, nesse contato, “a empresa falava do avanço de suas pesquisas, dos contratos que já havia assinado com o governo americano e com a Europa para a venda de vacinas, e oferecia ao Brasil prioridade no fornecimento”.

De acordo com o relato de Wajngarten, as negociações avançaram muito. “Os diretores da Pfizer foram impecáveis. Se comprometeram a antecipar entregas, aumentar os volumes e toparam até mesmo reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo de US$ 10 (cerca de R$ 55). O ex-secretário disse, porém, que, “infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde”.

Questionado sobre o que Jair Bolsonaro (sem partido) dizia sobre as negociações, Wajngarten afirmou que “o presidente sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa”.

Quando perguntado sobre o que poderia explicar o fato de o acordo não ter sido fechado, o ex-secretário respondeu: “incompetência e ineficiência.”

O assessor de comunicação do Ministério da Saúde durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, conhecido como Markinhos Show, rebateu as afirmações de Wajngarten. “Recebi uma ordem do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten para diminuir todos os valores de mídia da Rede Globo e proibindo o ministro da Saúde de falar com eles. Claro que não fiz o que ele pediu. Não aceitaria uma ordem desqualificada e inútil. Fiz tudo ao contrário.”, disse Markinhos. 

CPI da Covid

Wajngarten também falou sobre a CPI da Covid-19, criada no Senado para apurar as eventuais omissões do governo no combate à pandemia. O ex-secretário deve ser chamado para depor na comissão.

Sobre a possibilidade de ser convocado pela CPI, Wajngarten disse que está “tranquilo”. “Se necessário, posso esclarecer tudo isso à CPI.”

Embate público 

Integrantes da CPI da Covid dizem que o embate público travado entre o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-chefe da Secretaria de Comunicação Fabio Wajngarten fortaleceu o sentimento de que a investigação é necessária e também deu elementos a serem explorados pelos integrantes da comissão. As informações são da analista e âncora da CNN Daniela Lima.

ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten
Ex-secretário acusou o Ministério da Saúde de incompetência
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na entrevista à Veja, Wajngarten acusou Pazuello de inação e incompetência na negociação de vacinas. O ex-ministro da Saúde, por sua vez, deixou a pasta dizendo ser vítima de uma ofensiva de dentro do próprio governo e que havia gente com interesses indevidos na compra de vacinas. 

Integrantes da CPI dizem que, agora, cabe à comissão desvendar o que levou os dois aliados de Bolsonaro a trocarem farpas publicamente.

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