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    Exército conclui sindicância de militares que cantaram hino na invasão ao Planalto no 8/1

    Vídeos que circulam na internet mostram momento em que é possível ver os militares cantando o hino ao lado de manifestantes dentro na sede da Presidência

    Militares que cantaram o Hino Nacional durante a invasão do Palácio do Planto no 8 de janeiro
    Militares que cantaram o Hino Nacional durante a invasão do Palácio do Planto no 8 de janeiro Reprodução

    Tainá FarfanLeonardo Ribbeiroda CNN

    Brasília

    O Exército concluiu uma sindicância aberta para apurar a conduta de militares da Companhia de Guarda da Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Planalto que teriam cantado o Hino Nacional ao lado de manifestantes enquanto ocorria a invasão ao Palácio do Planalto, no dia 8 de janeiro.

    O documento, ao qual à CNN teve acesso, foi compartilhado com a (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) CPMI do 8 de janeiro.

    A apuração se deu a partir de vídeos que circulam na internet (assista abaixo).

    O militar que aparece no vídeo foi identificado como o sargento Júlio César Fidélis Gomes. Na sindicância, ele justificou que “a ordem disseminada entre os militares tinha a manifesta intenção de acalmar os ânimos de todos os presentes e restabelecer o controle da situação de forma pacífica”.

    O responsável pela apuração concluiu haver indícios de ocorrência de infração prevista no Regulamento Disciplinar do Exército: “portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura”. Diante disso, foi recomendado que fosse aberto um procedimento investigatório complementar e individual visando a punição do militar.

    A sindicância também apurou a conduta do major Saulo Paim Onoda, do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), que também teria dado supostas ordens a outros militares para que cantassem o hino junto com os manifestantes.

    “Apesar de existirem indícios de tê-lo feito, conforme depoimentos citados na parte expositiva, o militar afirma que não deu a ordem, e não estava presente na cena durante o canto, pois estaria retirando os manifestantes”, disse o major ao se defender na sindicância.

    De acordo com o documento, nos vídeos disponibilizados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não é possível verificar o momento do canto do Hino Nacional pela tropa no salão nobre.

    “Os presets da câmera não contemplam a posição da tropa em questão e não há som no vídeo. No vídeo do salão oeste e possível confirmar o depoimento do major Saulo Paim Onoda, que diz estar naquele local conduzindo os manifestantes para a saída de emergência”.

    Apesar disso, a sindicância conclui que o fato de o militar emitir ordens fora da cadeia de comando trazem indícios de cometimento de transgressão disciplinar.

    “Ao emitir ordens fora da cadeia de comando, o major Paim concorreu para a atmosfera confusa que se instaurou no salão nobre, pois interviu (sic.) no trabalho do comandante da companhia, contribuindo para o ambiente de desordem que se estabeleceu no local”, completa o texto.

    Em nota, o Exército informou “que não compactua com irregularidades ou eventuais desvios de conduta por parte de quaisquer de seus integrantes”. E que a execução do hino nacional na ocasião em questão “foi um ato isolado”. Ainda de acordo com a corporação, um dos militares alvo de sindicância foi punido com dois dias de prisão. Os demais foram absolvidos por ter sido comprovado que “receberam ordem equivocada”.

    Os militares citados na reportagem não foram encontrados até o momento.

    Veja também: Linha do tempo: novas imagens do Planalto reforçam falhas na repressão no 8 de janeiro