Exército diz que não produziu relatórios de inteligência sobre acampamento em frente ao QG da corporação

Segundo o Exército, os relatórios não foram produzidos “uma vez que não foram identificados aspectos que pudessem comprometer a segurança orgânica dos aquartelamentos localizados no Setor Militar Urbano”

Luciana Amaral, da CNN, Em Brasília
Apoiadores de Jair Bolsonaro mostram faixas de teor golpista em acampamento que ficava em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, em imagem de 12 de dezembro de 2022  • EDUARDO RODRIGUES/AGÊNCIA PIXEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Compartilhar matéria

O Exército informou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro que o Centro de Inteligência da instituição não produziu relatórios sobre o acampamento que foi instalado em frente ao Quartel-General da corporação, em Brasília.

Parte dos integrantes do acampamento montado em frente ao QG defendia ações de cunho golpista e chegou a ser presa após os atos criminosos de 8 de janeiro, em que houve a depredação das sedes dos Três Poderes.

Vídeo: Coronel diz que acampamento foi "epicentro dos atos"

Segundo o Exército em documento enviado à CPMI, relatórios de inteligência não foram produzidos “uma vez que não foram identificados aspectos que pudessem comprometer a segurança orgânica dos aquartelamentos localizados no Setor Militar Urbano”.

Relatório apresentado por Ricardo Cappelli na época da intervenção na segurança pública do Distrito Federal, após o 8 de janeiro, aponta que foram registradas 73 ocorrências no acampamento, a maior parte de furtos e crimes contra a honra.

Ainda, que após a chegada de um grupo indígena ao acampamento próximo ao QG, discursos que defendiam ações mais incisivas, e fora da área militar, ganharam força. Chegou a citar também hostilização contra agentes da Polícia Federal, da vigilância sanitária e profissionais de imprensa no acampamento.

Aliados do então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), começaram a se reunir no local após a derrota dele nas eleições presidenciais de outubro do ano passado. O acampamento só foi extinto após os episódios violentos de 8 de janeiro.

O ofício é assinado pelo general Francisco Humberto Montenegro Junior, chefe de gabinete do Comandante do Exército.

O envio à CPMI foi em resposta a um requerimento elaborado pelo senador oposicionista Marcos Rogério (PL-RO) para que o Centro de Inteligência do Exército enviasse todos os relatórios de inteligência referentes à “observação do acampamento ocorrido em frente ao QG, desde sua instalação até a total desmobilização”.

Veja imagens da desmobilização do acampamento em Brasília: