Fatos Primeiro: Janones é impreciso ao dizer que Brasil importa 20% do combustível que consome

Importação representa 27,4% do total consumido, segundo dados da Petrobras; em relação apenas à gasolina, taxa cai para 15%

Preço do combustível influencia no valor de outros segmentos
Preço do combustível influencia no valor de outros segmentos Getty Images

Gabriela GhiraldelliSalma FreuaDanilo Moliternoda CNN

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O pré-candidato do Avante à Presidência, André Janones, afirmou em entrevista à TV Aparecida, em 23 de fevereiro, que a alta no preço dos combustíveis “influencia todas as outras altas”, como a dos alimentos.

De acordo com o deputado federal, o aumento seria injustificável, uma vez que somente 20% dos combustíveis consumidos no território nacional são importados.

Dados da Petrobras mostram, no entanto, que a importação é de 27,4%. Em relação à gasolina, o país importa 15% do que é consumido internamente.

O deputado acerta ao dizer que a alta dos combustíveis impacta a inflação, uma vez que o sistema de transporte de cargas no país é dependente de caminhões abastecidos com diesel.

O que Janones afirmou

“Como medida de combate à inflação, esse é urgente, todo mundo que está assistindo sabe que um dos grandes problemas do nosso país hoje é a alta nos preços dos combustíveis. ‘Janones, mas a alta no preço dos alimentos também’. Sim, influencia. A alta no preço dos combustíveis, ela influencia todas as outras altas. É o principal componente para a inflação descontrolada do nosso país hoje. Como resolver isso? Mudando a política de preços da Petrobras, que hoje segue a cotação internacional. Isso todo mundo sabe, mas vamos falar em uma linguagem que todo mundo entende: 80% do combustível que é consumido no nosso país é fabricado aqui. Só 20% a gente busca fora. Na hora de decidir o preço, pela primeira vez, 20% tá tendo mais força do que 80%. Se 80% é fabricado aqui, por que seguir os preços dos 20%?”

Janones

Produção e importação de combustíveis

Segundo o Anuário Estatístico da Petrobras, o mercado interno brasileiro consumiu 102.838.520 m³ de combustíveis em 2020. Deste total, 28.264.200 m³ foram importados, o que representa 27,48%. Os dados são os mais recentes disponíveis.

Os combustíveis considerados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para compor sua lista são gasolina, gasolina de aviação, GLP, óleo combustível, óleo diesel, QAV e querosene iluminante.

Em 2020, a gasolina consumida no mercado interno chegou a 26.151.520 m³, e o total importado foi de 3.944.000 m³ ― o que equivale a 15%.

O impacto da alta de preços dos combustíveis

Os preços dos combustíveis, de fato, influenciam outros segmentos, incluindo o da alimentação, pois os valores do transporte dos produtos ― dependente dos caminhões ― se elevam e, consequentemente, contribuem para o aumento do preço final que chega ao consumidor.

Em 2016, quando Michel Temer (MDB) assumiu a Presidência da República, a Petrobras adotou uma política de preços de paridade de importação. O preço dos derivados do petróleo, como gasolina e diesel, estão sujeitos às cotações do mercado internacional, que precifica a commodity em dólar.

Com a variação cambial e a desvalorização da moeda nacional, a tendência é o preço aumentar.

De acordo com o ex-diretor da ANP Aurélio Amaral, apesar da Petrobras produzir e refinar grandes quantidades de petróleo e seus derivados no país, conseguindo assim amortizar parte do aumento dos preços, ela não conseguiria diferenciar e vender separadamente o que é produzido nacionalmente daquilo que é importado.

“Tem que manter uma certa média para garantir que a parte [de petróleo e derivados] que ela [Petrobras] não traz, seja trazida por outros importadores, pelas outras distribuidoras, com o preço lá fora, e chegue competitivo aqui”, disse.

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