Fatos Primeiro: Tebet acerta sobre paralisação e venda de fábrica de fertilizantes, mas sua fala tem imprecisões

Pré-candidata à Presidência pelo MDB concedeu terras para construção de unidade, que deve ser vendida a grupo russo

Fertlizantes: Estes países podem atender o Brasil com o fornecimento dos três principais nutrientes: nitrogenados, fosfatados e potássicos
Fertlizantes: Estes países podem atender o Brasil com o fornecimento dos três principais nutrientes: nitrogenados, fosfatados e potássicos Reuters

Danilo MoliternoLeonardo Rodriguesda CNN

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A guerra entre Rússia e Ucrânia colocou em evidência a dependência brasileira da importação de fertilizantes. Atualmente, o país compra de outros países 85% do produto que utiliza, sendo que cerca de 25% deles têm origem russa.

Com a interrupção das importações por causa do conflito, o governo anunciou que o Brasil negocia agora com outros países, como o Canadá. Em entrevista à CNN, no começo de março, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, garantiu que o país não terá problemas de abastecimento e disse que o estoque nacional de fertilizantes dura até outubro.

Ao tratar do tema em suas redes sociais, a senadora Simone Tebet (MDB), pré-candidata à Presidência da República, afirmou em 10 de março, em suas redes sociais, que a maior fábrica de fertilizantes da América Latina, localizada em Três Lagoas (MS), cidade da qual foi prefeita entre 2005 e 2010, teve sua construção paralisada em 2014 por causa da crise do Petrolão. Ela também criticou a venda da empresa para um grupo russo.

Tebet acertou ao falar sobre o processo que levou à paralisação da construção da fábrica, mas sua fala tem imprecisões sobre a área do terreno doado para a iniciativa e o estágio em que estavam as obras até serem interrompidas.

O que Simone Tebet afirmou?

“A maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina, patrimônio do Brasil, está sendo vendida para uma empresa russa. Em 2010, quando prefeita de Três Lagoas/MS, doei 50 hectares de terra para a Petrobras construir a fábrica que reduziria em 50% a dependência brasileira de importação de fertilizantes de outros países. A fábrica, que está 83% pronta, teve a obra paralisada após a crise do Petrolão. Agora, a Petrobras a vendeu para uma empresa russa misturar seu fertilizante”

Simone Tebet

 

Tebet doou terrenos para construção

Em 2010, a gestão de Tebet concedeu terras à Petrobras para o estabelecimento da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) na cidade. Pela Lei Ordinária Municipal nº 2427, de março de 2010, a cidade de Três Lagoas concedeu terrenos para o estabelecimento do “Distrito Industrial do Córrego Moeda”, que abriga a fábrica de fertilizantes.

Em resposta à CNN, a Prefeitura de Três Lagoas informou que o loteamento reservado para a UFN-III é de 4.251.875,55m², o que corresponde a 425 hectares. Em sua fala, a senadora disse que a doação foi de 50 hectares para a construção da unidade, área muito menor do que a cedida.

A construção da unidade foi iniciada em meados de 2011. Em audiência pública realizada meses antes, em setembro de 2010, o então representante do empreendimento pela Petrobras, Felipe Polli, apontava que a fábrica, quando finalizada, seria “a maior da América Latina”.

A construção da UFN-III foi interrompida em 2014. Segundo nota da Petrobras, a paralisação ocorreu porque o consórcio responsável por levantar a fábrica, formado pelas empreiteiras Sinopec e Galvão Engenharia, teria atrasado as obras.

Em laudo econômico-financeiro, a Sinopec afirma que o atraso ocorreu porque, “na transição do projeto básico para o projeto executivo, percebeu-se que a estimativa inicial apresentada pela Petrobras não fazia frente aos reais valores envolvidos para a concretização do projeto executivo”.

Com o impasse, aditivos foram implementados. Porém, na sequência, o contrato foi “repentina e unilateralmente rompido” pela Petrobras. Segundo a Sinopec, a interrupção tinha ligação com a Lava Jato, como citado por Tebet.

“Na tentativa de se desvincular da imagem negativa causada pela exposição nas investigações da Operação Lava-Jato, no ano de 2014, a Petrobras rescindiu contrato celebrado, mesmo com as obras em estágio consideravelmente avançado (aproximadamente 85% concluídas)”.

Diferentemente da Sinopec, Tebet cita 83% da construção já concluída. O governo do Mato Grosso do Sul, porém, aponta que as obras foram paralisadas com 81% do projeto realizado.

Segundo Tebet, a construção da unidade “reduziria em 50% a dependência brasileira de importação de fertilizantes”. Não há evidências que comprovem a alegação da pré-candidata. Apesar disso, na mesma audiência de 2010, o representante do empreendimento pela Petrobras, Felipe Polli, defendeu que a unidade “dobraria a produção nacional de fertilizantes”.

Em 4 de fevereiro de 2022, a Petrobras anunciou, em comunicado, que “chegou a um acordo para as minutas contratuais para a venda de 100% de sua Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, com o grupo russo Acron”. Segundo o estado, o Acron Group deve retomar as obras da unidade em julho de 2022.

Eleições 2022

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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