Fatos Primeiro: Verba do Auxílio Emergencial não equivale a ‘15 anos de Bolsa Família’, como disse Bolsonaro

Valor investido em programa social lançado no governo do PT está R$ 85 bilhões acima do direcionado a benefício temporário pago em 2020

Em 2020, o Auxílio Emergência distribuiu cinco parcelas de R$ 600 em média
Em 2020, o Auxílio Emergência distribuiu cinco parcelas de R$ 600 em média Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Danilo Moliternoda CNN*

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O presidente Jair Bolsonaro (PL), que é pré-candidato à reeleição, afirmou em visita ao estado de Tocantins, na última terça-feira (22), que o seu governo gastou o equivalente a 15 anos de Bolsa Família apenas nas cinco parcelas iniciais do Auxílio Emergencial.

Em 2020, o governo federal investiu cerca de R$ 230 bilhões no pagamento das primeiras parcelas do benefício que visava amenizar as consequências econômicas da pandemia do novo coronavírus. O valor é menor que o executado entre janeiro de 2004 e dezembro de 2019 no Bolsa Família. No período, o total gasto foi de R$ 315 bilhões.

O que Bolsonaro disse?

 

“Enfrentamos uma pandemia onde o governo esteve do lado de vocês, em especial os mais humildes, porque depois dá errada a política de alguns governadores e prefeitos que obrigaram vocês a ficarem em casa. O governo, pelo contrário, nunca fechou uma casa de comércio e atendeu a população com auxílio emergencial. Gastamos em 2020 o equivalente a 15 anos de Bolsa Família”

Jair Bolsonaro

 

Gasto com Bolsa Família foi maior

Segundo dados do Senado, a gestão Bolsonaro investiu cerca R$ 230 bilhões no pagamento do Auxílio Emergencial em 2020. No primeiro ano de pandemia, como medida de enfrentamento à crise do coronavírus, o governo federal ofereceu cinco parcelas de R$ 600, em média, a populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Diferentemente do que aponta o presidente, o valor foi menor do que o direcionado pelo governo ao Bolsa Família “em 15 anos”. O programa social foi criado no final de 2003, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre janeiro de 2004 e dezembro de 2019, o benefício custou cerca de R$ 315 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

Em 2004, o programa de renda mínima distribuía R$ 50 por família, somado a um montante que variava de R$ 15 a R$ 45, de acordo com o número de crianças no núcleo. Se corrigido pela inflação, o valor fixo representaria R$ 193, enquanto o acrescido variaria de R$ 58 a R$ 174.

Em dezembro de 2019, o benefício básico era de R$ 89. Havia ainda um valor adicional para núcleos familiares com crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes, que variava de R$ 41 a R$ 205. Os valores corrigidos representam R$ 136, R$ 62 e R$ 314, respectivamente.

Em janeiro de 2004, o valor total para o pagamento da primeira parcela do Bolsa Família foi de R$ 263 milhões. Em 2019, o investimento mensal já superava R$ 2,5 bilhões.
Apesar de Jair Bolsonaro se referir somente às parcelas do Auxílio Emergencial pagas em 2020, o programa de assistência teve continuidade no ano seguinte. Em 2021, o chamado Auxílio Residual distribuiu quatro parcelas de R$ 300, em média, a cidadãos em situação de vulnerabilidade. A parcela da população atendida, no entanto, foi menor do que a do ano anterior.

Os investimentos no Auxílio Residual totalizaram R$ 63 bilhões em 2021. Se somados ao montante despendido com as cinco parcelas iniciais, o governo Bolsonaro gastou R$ 293 bilhões. O valor total ainda assim não se equipara à verba destinada ao Bolsa Família no período destacado pelo presidente.

Eleições 2022

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

*Com supervisão de Evelyne Lorenzetti

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