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    Eleições 2022

    Fernando Molica: Ao jogar para garantir o resultado, Lula abriu caminho para ataques de Tebet e Ciro

    Bom desempenho de outros opositores a Bolsonaro dificulta vitória petista no primeiro turno

    Candidatos à Presidência participam do 1º debate eleitoral na TV Bandeirantes
    Candidatos à Presidência participam do 1º debate eleitoral na TV Bandeirantes André Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Fernando Molica

    As boas performances de Simone Tebet (MDB) e de Ciro Gomes (PDT) no debate promovido na Band tendem a dificultar ainda mais o sonho petista de ganhar a eleição no primeiro turno. Líder das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação em não criar polêmicas, em evitar os choques, em não se expor no ataque –e foi surpreendido pelos avanços de adversários que até então atuavam como coadjuvantes.

    É improvável que Tebet e Gomes venham a comprometer a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro (PL), candidatos com bases muito fortes, mas qualquer crescimento deles –e dos demais concorrentes– joga peso no prato da balança que reúne todos os adversários de que ocupa a liderança.

    Para decidir de cara a eleição, Lula precisa ter mais votos que todos os computados para os outros candidatos.

    Lula foi para a Band como um time que ganha com alguma vantagem a primeira partida de um mata-mata, a entrevista para o Jornal Nacional: no debate, tentou administrar a vantagem, garantir o resultado, tocar a bola pro lado, deixar o tempo passar e ainda estabelecer boas relações com aqueles que podem virar aliados num segundo turno contra Bolsonaro.

    Procurou não se alongar em sua primeira fala sobre corrupção, não citou acusações de roubalheira que pesam contra o governo. Ao fazer isso, atuou como garçom de Tebet e Ciro, servidos com preciosas assistências, deixados na cara do gol. Eles acabaram marcando tentos importantes, mostraram para o eleitor que também sabem falar mal de Bolsonaro, que são contra o atual governo.

    Ao se dar conta do nó tático em que se metera, o petista bem que tentou articular duetos antibolsonaristas com outros colegas de oposição – não deu muito certo. Provocados, a emedebista e o pedetista criticaram o presidente, mas não deixaram de lançar farpas na direção do ex.

    Preocupado com o resultado adverso, Lula ainda tentou correr pro ataque, mas o fez de forma meio atabalhoada, tropeçou na bola, mostrou dificuldade em organizar falas mais agressivas.

    O erro de Lula só não foi mais retumbante porque Bolsonaro, ao comentar uma pergunta da jornalista Vera Magalhães sobre vacinas, tratou de ser Bolsonaro. Mandou às favas os escrúpulos do comedimento e acusou a repórter de dormir pensando nele. Passaria o resto do debate tentando diminuir o prejuízo gerado pelo destempero machista e, agora, é dúvida na escalação dos próximos confrontos.

    Para ganhar no primeiro turno, Lula tem que convencer o eleitor de que é detentor de uma espécie de monopólio do antibolsonarismo e, para isso, não pode deixar de marcar posição contra o atual presidente. Ao trocar o 9 de artilheiro pela 8 de quem arma o jogo preocupado com a defesa, o petista, na noite de domingo, ajudou a revelar que há outros jogadores no time da oposição, agora vai ser preciso ser mais ousado e suar a camisa.

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.