Filho de Chico Rodrigues deve assumir vaga, apesar de resistência de Alcolumbre

Larissa Rodrigues e Teo Cury, da CNN, em Brasília 

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 O administrador Pedro Arthur Ferreira Rodrigues, filho senador Chico Rodrigues (DEM-RR), deve assumir a vaga deixada pelo pai no Senado Federal. Segundo a assessoria de imprensa do agora senador licenciado, Pedro Arthur já se prepara para herdar o cargo por, ao menos, 121 dias, prazo da licença de seu pai na Casa. 

Pedro Arthur, também filiado ao Democratas, é o primeiro suplente de Chico Rodrigues, flagrado na semana passada pela Polícia Federal com cerca de R$ 33 mil escondidos na cueca. Ele é investigado no âmbito de uma operação que apura desvio de recursos públicos na ordem de R$ 20 milhões que seriam destinados ao combate ao novo coronavírus. 

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Segundo o regimento interno do Senado, cabe ao primeiro suplente assumir a vaga em caso de licença superior a 120 dias do titular. O texto prevê que, após ser convocado em publicação no Diário Oficial do Senado, o primeiro suplente terá 30 dias para assumir como senador em exercício.

Nos bastidores, porém, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e lideranças do governo na Casa e no Congresso Nacional tentam fazer com que o filho de Chico Rodrigues desista de substituir o pai.

A avaliação, de acordo com fontes ouvidas pela CNN, é a de que os senadores querem que o assunto saia do noticiário, o que não vai acontecer caso o filho de Chico Rodrigues fique no lugar do pai.

Pedro Arthur pode se declarar impossibilitado de assumir o mandato. Caso ele não fique com a vaga do pai, o segundo suplente será convocado: o empresário Onésimo de Souza Cruz Netto (PSDB-RR). 

Se for oficializado como senador interino, Pedro Arthur terá direito a salário proporcional aos dias em que exercer o mandato; ajuda de custo; estrutura administrativa, como gabinete, servidores efetivos e comissionados; carro oficial; plano de saúde e auxílio-moradia ou residência oficial. 

Já Chico Rodrigues, mesmo durante a licença de 121 dias, apesar de perder o direito ao salário de senador, que hoje é de R$ 33,7 mil, vai continuar com alguns benefícios, como plano de saúde e imóvel funcional.

O senador licenciado responde no Conselho de Ética do Senado a um pedido de quebra de decoro que pode levar à cassação de seu mandato. O presidente do colegiado, senador Jayme Campos (DEM-MT), disse ontem que, mesmo licenciado, Chico Rodrigues pode ter o mandato cassado pelo Conselho de Ética.

O colegiado, no entanto, está com as atividades suspensas desde o início da pandemia do novo coronavírus e depende da revogação de uma resolução assinada pela Mesa Diretora para voltar a funcionar. Se for cassado, Chico Rodrigues perde não apenas os benefícios do Senado, como também, foro privilegiado e imunidade parlamentar.

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