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    Forças Armadas “limitaram ações da PM” nos acampamentos golpistas, diz ex-chefe de Operações da PMDF

    Segundo Jorge Eduardo Naime, Polícia Militar “não tinha acesso para entrar com policiamento, para efetuar prisão”

    Gabriel HirabahasiCristiane Nobertoda CNN

    Em Brasília

    O ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar (PM) do Distrito Federal Jorge Eduardo Naime disse, nesta segunda-feira (26), em depoimento à CPMI do 8 de janeiro, que as Forças Armadas limitaram ações da PM nos acampamentos que pediam intervenção militar após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

    O principal acampamento estava localizado em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. Durante semanas, apoiadores do ex-presidente Bolsonaro se mantiveram no local pedindo um golpe de Estado para evitar que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomasse posse.

    Segundo Naime, a Polícia Militar “não tinha acesso para entrar com policiamento, para efetuar prisão”.

    “Ação da PM no acampamento sempre foi limitada pelas Forças Armadas. A gente não tinha esse acesso para entrar com policiamento, para efetuar prisão, para retirar ambulante, para poder fazer prisões”, disse Naime.

    “A própria Polícia Federal foi tentar cumprir mandados de prisão dentro do acampamento e foi rechaçada pelos manifestantes. Acabou saindo cenas na imprensa que parecia que o próprio Exército estava expulsando a PF de dentro do acampamento”, completou.

    A CNN entrou em contato com o Exército, que afirmou que “quaisquer esclarecimentos em relação aos depoimentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional sobre os acontecimentos relacionados ao evento de 8 de janeiro serão prestados exclusivamente àquele órgão”.

    Naime prestou depoimento na CPMI nesta segunda, apesar de ter um atestado médico de depressão e ansiedade que o liberava de comparecer à audiência no Congresso Nacional.

    O ex-chefe de Operações da PMDF está preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

    Naime é investigado por suposta omissão e não cumprimento de ordens durante os atos de 8 de janeiro, que resultaram na invasão e vandalismo das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Naime foi preso em 7 de fevereiro em uma das fases da operação Lesa Pátria, da Polícia Federal (PF).