Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Bolsonaro não falar a favor da vacinação prejudica campanha, diz ex-chefe do PNI

    Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações afirmou à CPI da Pandemia que não teve vacinas e comunicação uniforme para conduzir campanha efetiva

    Giovanna Galvani, da CNN, em São Paulo

    Em depoimento na CPI da Pandemia, a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde Francieli Fantinato afirmou que seu trabalho no combate à Covid-19 foi prejudicado pela falta de vacinas e de uma comunicação uniforme efetiva em relação à imunização. 

    Ao ser questionada sobre sua opinião sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesse processo, Francieli argumentou que precisava de apoio e direcionamento único, mas não foi essa a mensagem emitida pelo “líder da nação”.

    “Eu preciso de apoio, de apoio que seja favorável à fala em relação à vacinação. Quando o líder da nação não fala favorável, a minha opinião pessoal é que isso pode trazer prejuízos. Se me pedir se tenho números disso, não tenho elementos, mas eu enquanto coordenadora precisava que tivesse um direcionamento único”, afirmou.

    Já na declaração inicial à CPI, a ex-coordenadora ressaltou que precisaria de vacinas e uma campanha publicitária efetiva para entregar um programa de vacinação de sucesso. “Infelizmente, eu não tive nenhum dos dois”, concluiu.

    Fantinato é uma das investigadas da CPI da Pandemia. No começo da sessão, o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, relembrou que ela possui um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal que a permite permanecer em silêncio em questionamentos que podem incriminá-la.

    No entanto, a ex-coordenadora deu declarações assertivas acerca de reuniões que discutiram a viabilidade das vacinas ainda em desenvolvimento em 2020, além de mencionar que seu departamento sofreu pressão de diferentes grupos que queriam ser inseridos nos recortes prioritários da campanha de imunização.

    “Sofrer pressões de todos esses segmentos para a entrada de grupos trouxe uma dificuldade na execução da campanha”, declarou. Para ela, se houvesse previsão de vacinas suficientes, “não teria a segmentação e evitaria-se a pressão”.

    Ao responder porque deixou o cargo — Fantinato foi exonerada à pedido na quarta-feira (07) –, Francieli negou que o tenha feito em decorrência de seu depoimento no Senado e afirmou que considerou questões pessoais após observar a “politização” da eficácia da vacinação, e que este movimento colocou-a enquanto investigada na CPI antes de ser ouvida.

    “Esse tema está politizado por diversos membros. Essa politização trouxe até pra mim uma condição de investigada sem mesmo ter sido ouvida, isso também trouxe um aspecto negativo, de entrar em condição de investigada sem ter tido oportunidade de falar”, afirmou.

    Francieli Fantinato na CPI da Pandemia
    Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, na CPI da Pandemia
    Foto: Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado