'G7 está derretendo a credibilidade da CPI da Pandemia', diz Eduardo Girão
Membro titular da CPI, senador pelo Ceará diz que ausência de parlamentares do G7 na sessão desta sexta-feira (18) mostra falta de 'espírito democrático'
O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) criticou nesta sexta-feira (18) os integrantes do chamado G7, grupo de parlamentares independentes e de oposição que formam maioria na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.
À CNN, Girão classificou como "ausência de espírito democrático" o fato de integrantes do G7 não terem comparecido à sessão desta sexta-feira, quando foram ouvidos os médicos Ricardo Zimerman e Francisco Cardoso Alves, defensores do "tratamento precoce", com uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.
"Hoje foi um dia muito emblemático na CPI. Vocês acompanharam e ficou feio para o Senado Federal. A instituição caiu muito no aspecto do G7. A gente já conhecia o viés que brinda a corrupção, que não quer olhar para os desvios de estados e municípios, a gente já conhecia o viés de parcialidade dessa comissão, mas a gente não conhecia o viés de ausência do espírito democrático", disse o senador, que é membro titular da CPI.
A crítica de Girão focou especialmente no relator do inquérito, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que deixou a sessão após se negar a questionar os depoentes. “Eu me recuso a fazer hoje, mesmo como relator desta Comissão Parlamentar de Inquérito, qualquer pergunta aos depoentes. Com todo o respeito que lhes tenho, mas eu me recuso”, disse Renan.
Para o senador pelo Ceará, ouvir os médicos seria uma questão de "respeito" necessário por parte do relator.
Embora se diga independente, Girão tem se aliado aos parlamentares governistas em muitos momentos da CPI. Questionado sobre o chamado precoce, por exemplo. O senador se diz favorável à "autonomia médica" e argumenta que há uma divisão na comunidade científica a respeito da eficácia do tratamento, embora todas as principais autoridades sanitárias do mundo, inclusive a brasileira Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atestem a ineficácia de remédios como ivermectina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Lista de investigados
Eduardo Girão também criticou Renan Calheiros pela divulgação, nesta sexta-feira, de uma lista com 14 nomes de pessoas que passaram à condição de investigadas pela CPI, e que inclui o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
De acordo com Girão, vários senadores souberam da lista somente pela imprensa, já que Renan não teria apresentado os nomes à apreciação dos membros da CPI. Essa suposta atitude do relator, diz Girão, atesta uma "escalada autoritária" dentro da CPI, embora a decisão de tornar alguém investigado caiba somente a Renan Calheiros.
"Isso vai tirando a seriedade de um trabalho que poderia prestar um grande serviço, apontando eventuais ações e omissões do governo federal e apontando desvios de corrupção", argumentou o senador.